Protestos em todo o País contra o aumento do custo de vida
«Os Mesmos de Sempre a Pagar» saíram à rua no sábado, 3, em mais de 20 cidades e localidades do País, contra o aumento do custo de vida. O aumento geral dos salários, das reformas e pensões foi uma das principais reivindicações.
«São só lucros aos milhões e nós a contar tostões»
No final das iniciativas foi aprovado o manifesto «A crise aumenta e o povo não aguenta!», onde se afirma que «a vida continua a ficar mais cara, os preços continuam a subir todos os dias e os salários, as pensões e reformas não acompanham o brutal aumento do custo de vida».
Quando «sobra cada vez mais mês para tão pouco salário», o movimento acusa o Governo de não ter «vontade de inverter este rumo» e reclama, entre outras medidas, a fixação dos preços nos bens alimentares, e que a Caixa Geral de Depósitos, sendo um banco público, assuma, desde já, a redução do spread para 0,25 por cento, de modo a compensar o aumento da Euribor. Exige-se, igualmente, que os lucros das grandes empresas financiem um fundo de combate à crise, que a energia seja tributada a 6 por cento de IVA [e não a 23 e 13 por cento], e a defesa dos pequenos comerciantes para manterem os negócios abertos. «Estamos todos no mesmo mar, mas não vamos todos no mesmo barco», sublinham «Os Mesmos de Sempre a Pagar».
O povo não aguenta
Em Lisboa, o protesto, entre a Praça da Figueira e o Intendente, onde se ouviram palavras de ordem como «Estamos fartos de escolher, pagar a renda ou comer» e «Uma casa é para morar, não é para especular», contou com a presença de Ricardo Costa, da Comissão Política do PCP.
«Esta manifestação traz à rua aquilo que é o sentimento do povo e dos trabalhadores», salientou o dirigente comunistaao Avante!, avançando com a «necessidade do aumento geral dos salários, das pensões e reformas», de modo a criar «condições para que o poder de compra das pessoas possa ser reposto». Sobre as medidas anunciadas pelo Governo,deu como exemplo o IVA 0 que tem «efeito zero» na vida das pessoas. Destacou, por isso, a proposta do Partido de controlo e redução dos preços dos bens alimentares.
Outra «questão que pesa muito no orçamento das famílias» e que ali esteve presenteprende-se com os «problemas na habitação», sendo, por isso, necessário enfrentar os «escandalosos» lucros da banca, bem como os fundos imobiliários e os grandes proprietários. «Estas reivindicações encontram resposta naquilo que são as propostas e soluções que o PCP tem vindo a apresentar na Assembleia da República», concluiu Ricardo Costa.