Mais de dois milhões de deslocados no Burkina Faso devido à violência

No Burkina Faso, mais de dois milhões de civis encontram-se deslocados devido à violência provocada por «grupos extremistas islâmicos», segundo indica um relatório governamental divulgado no dia 5, em Uagadugu, capital desse país oeste-africano.

O número de pessoas, entre as quais mulheres e crianças, que se encontram actualmente fora das suas aldeias e vilas, a viver em acampamentos improvisados, representa um aumento de cerca de dois mil por cento em relação a 2019, destaca o documento.

Referindo-se à difícil situação humanitária enfrentada actualmente pelos deslocados, uma responsável do Grupo de Defesa dos Refugiados, em Uagadugu, denunciou que muitos deles poderão enfrentar a fome, já que não dispõem de alimentos suficientes. Salientou ademais que essas pessoas do Burkina Faso não estão protegidas, num contexto em que a ajuda humanitária é inadequada. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), dos mais de 800 milhões de dólares solicitados para assistência ao Burkina Faso no ano passado, a «comunidade internacional» contribuiu apenas com metade do que foi pedido.

A população do Burkina Faso vive em condições de insegurança devido aos ataques no país, desde 2015, perpetrados por bandos extremistas, como o Estado Islâmico no Grande Sahara e o Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, vinculados à rede terrorista Al-Qaeda.

Estas formações, que controlam extensas áreas do país, também cortam o abastecimento de alimentos e água potável às cidades, o que agrava o panorama humanitário.

Segundo fontes médicas, as violentas acções dos grupos armados neste país da África Ocidental, onde no ano passado ocorreram dois golpes de Estado militares, provocaram, além dos dois milhões de deslocados, centenas de mortos e feridos.

Antiga colónia francesa, antes chamado Alto Volta, o Burkina Faso, com 22 milhões de habitantes, faz fronteira com seis outros países (Mali, Níger, Benin, Togo, Gana e Costa do Marfim), alguns dos quais também sofrendo de ingerências estrangeiras, guerras, golpes de Estado, violência terrorista, pobreza.

 



Mais artigos de: Internacional

Eleições na Guiné-Bissau: participação e esperança

Os guineenses foram às urnas, no domingo, 4, eleger 102 deputados da Assembleia Nacional Popular. Dos resultados (que ainda não eram conhecidos até ao fecho desta edição) sairá a maioria que sustentará um novo governo.

União Africana coordena esforços para solução do conflito no Sudão

A Comissão da União Africana (UA) prepara para breve uma cimeira visando juntar os esforços em favor da paz continental, anunciou o presidente daquela entidade, Moussa Faki Mahamat. O propósito é reunir num só fórum os líderes da Comunidade Económica dos Estados da África Central, a Comunidade de Desenvolvimento da...

O Estado, reduzido à violência

A ópera bufa do tecto da dívida estado-unidense teve o desfecho esperado: à última hora, Republicanos e Democratas concordaram que a única forma de permitir que o governo federal continue a pedir dinheiro emprestado é sacrificando os direitos dos trabalhadores. O acordo bipartidário prevê cortes nos orçamentos de todas...