União Africana coordena esforços para solução do conflito no Sudão

A Comissão da União Africana (UA) prepara para breve uma cimeira visando juntar os esforços em favor da paz continental, anunciou o presidente daquela entidade, Moussa Faki Mahamat.

O propósito é reunir num só fórum os líderes da Comunidade Económica dos Estados da África Central, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos e a Comunidade Africana Oriental.

De acordo com o responsável, é urgente coordenar esforços e atribuir responsabilidades, tendo em conta o potencial de cada Estado, para apoiar iniciativas de paz em curso, entre elas as relativas ao Sudão e à República Democrática do Congo.

É necessário encontrar soluções duradouras para as crises africanas, mediante o diálogo e compromissos firmes, considerou Faki Mahamat. Disse que pediu apoio técnico e logístico da ONU e de outros parceiros internacionais para reforçar as acções pela paz nos referidos países africanos. E opinou que uma solução negociada para o conflito sudanês é a única forma de salvar o país da guerra civil e a região do caos generalizado.

Ajuda alimentar em risco no Sudão
A violência que persiste no Sudão facilitou o saque a um dos centros logísticos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) na cidade de El Obeid, capital do Estado do Kordofan do Norte.

O PMA denunciou que está em risco a entrega de ajuda alimentar a cerca de quatro milhões de pessoas nas zonas afectadas pela guerra, apesar dos esforços da organização para incrementar as suas operações e dar atenção a quem sofre de fome.

A cidade de El Obeid acolhe uma das principais bases logísticas do PMA em África e funciona para as operações daquele organismo das Nações Unidas no Sudão e Sudão do Sul.

A representante adjunta do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) no Sudão, Fatima Mohammed Cole, revelou que as tentativas de chegar a Cartum para ajudar populações atingidas pela guerra fracassaram até agora e que os escritórios do Acnur na capital foram saqueados.

Em Cartum, os enfrentamentos armados prosseguem, após a suspensão das negociações que decorriam em Jeddah, na Arábia Saudita, entre as duas partes. Os representantes do exército sudanês retiraram-se das conversações e acusaram os paramilitares de violarem continuamente o cessar-fogo.

Testemunhos presenciais indicaram que, no início desta semana, os disparos de artilharia pesada e os bombardeamentos continuavam na capital e nas cidades vizinhas de Cartum Norte e Umdurman, onde estão as maiores bases dos paramilitares.

O conflito provocou já mais de mil mortos e quase um milhão e meio de deslocados, segundo dados da ONU.

Os confrontos armados começaram no dia 15 de Abril entre o exército sudanês, chefiado pelo general Abdel Fattah al-Buran, e as Forças de Intervenção Rápida, encabeçadas pelo general Mohamed Hamdam Dagalo. Os dois generais ex-aliados que agora se digladiam pelo poder lideravam a junta militar que derrubou em 2019 o presidente Omar al-Bashir.

 

PCP solidário

Numa missiva dirigida recentemente ao Partido Comunista Sudanês (PCS), o PCP expressa a sua solidariedade face ao assalto e ocupação da sua sede nacional pelas Forças de Apoio Rápido sudanesas.

Na mensagem, o PCP manifesta a sua firme condenação deste violento ataque e acto de vandalismo e exige o fim imediato de todos os ataques contra as instalações, membros e simpatizantes do PCS, ou de outras organizações do movimento democrático do Sudão, bem como a responsabilização dos autores de tais actos deploráveis.

O PCP manifesta a sua total solidariedade com o PCS e com todas as forças democráticas e progressistas do Sudão, que se empenham para pôr fim imediato à brutal confrontação militar que se tem desencadeado neste país.




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