Reunidos no Japão, líderes do G7 atacam China e Rússia

Na cimeira do G7 no Japão, os líderes do grupo de potências atacaram a China, aprovaram novas sanções contra a Rússia e decidiram incrementar o fornecimento de armas à Ucrânia. Não apresentaram qualquer agenda de paz nem propostas de solução para os problemas globais.

Objectivo dos EUA e aliados é «conter» a China e escalar o conflito na Ucrânia

O objectivo principal dos EUA e aliados com a cimeira do Grupo dos Sete (G7) realizada no Japão, entre os dias 19 e 21, foi o de conter o desenvolvimento da China e escalar o conflito na Ucrânia.

Constituído pelos EUA, Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Canadá e Japão, o G7, a que se junta a União Europeia, convidou para esta cimeira os líderes da Coreia do Sul, Vietname, Indonésia (ASEAN), Índia, Brasil, Austrália, Comores (União Africana), Ilhas Cook (Fórum das Ilhas do Pacífico) e organizações internacionais como a ONU e o FMI.

A China expressou «forte descontentamento» pelos ataques de que foi alvo pelo G7. Em Pequim, o governo acusou o grupo de usar questões importantes para difamar a China e «interferir descaradamente» nos seus assuntos internos.

O G7 profere afirmações altissonantes sobre «promover um mundo pacífico, estável e próspero» mas o que faz é obstaculizar a paz internacional, minar a estabilidade regional e travar o desenvolvimento de outros países, assevera a China.

A propósito de Taiwan, Pequim insiste que «ninguém deve subestimar a determinação e capacidade do povo chinês para salvaguardar a soberania e a integridade territorial da China». E, quanto a Hong Kong, Xinjiang e o Tibete, reafirma que são assuntos internos da China e opõe-se à interferência, a pretexto dos «direitos humanos», de qualquer força exterior.

Desmentindo qualquer «coerção económica», a China assinala que, pelo contrário, as sanções unilaterais massivas e a interrupção das cadeias industriais e de abastecimento convertem os EUA no verdadeiro agente de coacção que «politiza e converte em armas as relações económicas e comerciais».

A resposta de Pequim enfatiza que, como país responsável, a China defende firmemente a ordem mundial respaldada pelo direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais construídas em torno dos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas. E reafirma que a China nunca aceitará as «regras» impostas por uns poucos.

Também Moscovo ripostou às acusações e assegura que a cimeira do G7 demonstrou que a aliança se deteriorou irreversivelmente e converteu-se numa «incubadora de iniciativas destrutivas». Uma nota do governo russo comenta que da reunião em Hiroxima resultam declarações repletas de «passagens odiosas» dirigidas contra a China e a Rússia, ao mesmo tempo que os membros do G7 procuram impedir que Estados não «ocidentais» desenvolvam laços com Moscovo e Pequim.

As tentativas dos países do G7 de se apresentarem como advogados da legalidade e justiça nos assuntos internacionais são «uma burla à História e ao senso comum», porque «é evidente que o G7 é o principal factor que agrava os problemas globais», realça Moscovo.

 

Protestos em Hiroxima
contra o G7 e a guerra

Milhares de pessoas de todo o Japão e do estrangeiro manifestaram-se, em Hiroxima, no primeiro dia da cimeira dos líderes do G7, protestando contra a guerra e o imperialismo.

Num parque próximo do local da reunião dos líderes do grupo de potências, os manifestantes empunharam cartazes e faixas com dizeres como «G7 é a causa da guerra», «Não à guerra» e «Não à aliança militar entre Japão e NATO». E entoaram consignas como «imperialistas norte-americanos, terroristas número um» e «Não mais mentiras».

Um forte contingente policial acompanhou o protesto pacífico.




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