OUA foi criada há 60 anos

Carlos Lopes Pereira

Completam-se hoje, 25 de Maio, Dia da África, seis décadas sobre a criação da Organização da Unidade Africana (OUA).

Nesse início dos anos sessenta do século XX, a maior parte dos países africanos tinha já alcançado a independência, mas as então colónias «portuguesas» (Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) apenas começavam a luta armada pela libertação nacional e a África Austral ainda era, em grande parte, dominada por regimes racistas.

Num contexto mundial favorável à emancipação dos povos, os dirigentes de uma trintena de países africanos ultrapassaram as suas diferenças, reuniram-se em Adis Abeba e, em 25 de Maio de 1963, fundaram a OUA.

Os objectivos eram claros: erradicar todas as formas de colonialismo e de apartheid no continente, defender a soberania e independência dos Estados africanos, trabalhar para a resolução dos problemas políticos, económicos e sociais, promover o desenvolvimento.

Para líderes progressistas como o ganês Kwame Nkrumah, o guineense Sékou Touré, o maliano Modibo Keita, ou o egípcio Gamal Nasser, era necessário ir mais longe e derrotar o neocolonialismo, a continuação por outros meios da dominação e exploração colonial.

Nkrumah, pan-africanista convicto, combatente infatigável pela unidade africana e um dos principais responsáveis pela criação da OUA, defendeu que «nem uma só parte da África pode estar a salvo ou ser livre para desenvolver-se de forma plena ou independente enquanto qualquer outra parte não se tiver libertado ou enquanto os vastos recursos económicos de África continuarem a ser explorados por interesses imperialistas e neocolonialistas». Mais: «A menos que a África esteja unida politicamente (…), não pode haver uma solução para os nossos problemas políticos e económicos».

Ainda que algumas das propostas de Nkrumah não tenham sido concretizadas, os seus ideais emancipadores mantêm-se actuais e o balanço histórico da OUA, 60 anos depois da sua criação, é positivo.

Através do seu Comité de Libertação, com sede na Tanzânia, do presidente Julius Nyerere, a OUA foi importante no apoio aos movimentos de libertação que combatiam na linha da frente contra o apartheid sul-africano. E contribuiu também, com a ajuda possível, para outros movimentos libertadores africanos, como o PAIGC, o MPLA e a FRELIMO, cuja luta vitoriosa contra o colonialismo português culminou com a independência dos povos da Guiné-Bissau e Cabo Verde, de Angola e de Moçambique.

Quando, em 2022, foi substituída pela União Africana, a OUA tinha acolhido como membros os 55 Estados do continente, incluindo a República Árabe Sarauí Democrática (RASD), que hoje continua a lutar pela autodeterminação e independência, não obstante ter a maior parte do território sob ocupação, ilegal, de Marrocos.

Apesar dos obstáculos enfrentados – guerras, conflitos, ingerências, doenças, pobreza, catástrofes naturais – a OUA cumpriu, pois, o seu papel de apoiar a luta pela independência dos países africanos, um formidável avanço histórico para os seus povos. Luta que continua, hoje, pela soberania, pelo desenvolvimento, pela construção de sociedades pacíficas, prósperas e libertas de exploração.




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