Trabalhadores de todo o mundo comemoram 1.º de Maio com luta

Trabalhadores por todo o mundo comemoraram o 1.º de Maio, na maioria dos casos com manifestações, desfiles, protestos e greves, prosseguindo as suas lutas por melhores salários e condições laborais.

1.º de Maio foi comemorado da Europa à África, da Ásia à América Latina e Caraíbas

O Dia Internacional dos Trabalhadores voltou em 2023 a ser assinalado como jornada de luta e demonstração de força da classe trabalhadora. O 1.º de Maio presta homenagem aos mártires de Chicago, nos EUA, que em 1886 protagonizaram um protesto por melhores condições laborais, entre as quais «oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de descanso». A manifestação foi alvo de uma violenta repressão policial, com dezenas de mortos e feridos.

Este ano, na Europa, o destaque vai para a participação de mais de dois milhões de pessoas nas manifestações que decorreram em França para festejar o 1.º de Maio e prosseguir o combate contra a reforma das pensões imposta pelo governo. Segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), só em Paris o número de manifestantes ultrapassou o meio milhão. O protesto, convocado por oito grandes centrais sindicais, foi a 13.ª jornada de luta contra a lei que estende a idade legal de reforma de 62 para 64 anos. Registaram-se episódios de violência policial contra manifestantes, havendo centenas de feridos e de detenções.

Em Itália, convocada pelas principais centrais sindicais, a manifestação nacional do 1.º de Maio decorreu em Potenza, na região de Basilicata. Foram denunciados os principais problemas dos trabalhadores – precariedade, baixos salários e altos impostos. Actos comemorativos realizaram-se também em Milão, Turim, Bolonha e Roma.

Em Espanha, mais de 70 grandes manifestações tiveram lugar em cidades como Madrid, Valência, Bilbao, Barcelona e Sevilha, em resposta à convocatória das Comisiones Obreras e da União Geral de Trabalhadores. O lema das mobilizações deixou claro os objectivos: «Subir salários, baixar preços, repartir benefícios.» Os sindicatos exigem ao patronato uma subida significativa de salários, avisando que, em caso contrário, haverá nova vaga de protestos e greves.

Em capitais europeias como Berlim, Londres e Atenas, manifestações, desfiles e greves por melhores salários e em defesa dos direitos laborais marcaram o 1.º de Maio.

A luta continua

Em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel saudou os trabalhadores pelo seu dia internacional e instou a celebrá-lo contribuindo com algo para mais bem-estar do país. Confirmou que parte do programa previsto para o 1.º de Maio foi adiada para amanhã, 5. A Central de Trabalhadores de Cuba anunciou, a 30 de Abril, o adiamento de actividades comemorativas do 1.º de Maio, devido à instabilidade climatológica que provocou intensas chuvas em diversas zonas da ilha.

Haverá tolerância de ponto nesse dia 5, para que os trabalhadores possam realizar desfiles e concentrações que tradicionalmente têm lugar para festejar o 1.º de Maio. Apesar das fortes chuvadas, mantiveram-se as jornadas de trabalho voluntário, as convocatórias para actividades agrícolas, as entregas de condecorações e o programa com representantes do movimento operário internacional de visita a Cuba. Mais de mil convidados estrangeiros participaram, na terça-feira, 2, no «Encontro Internacional de Solidariedade com Cuba e o anti-imperialismo a 200 anos da Doutrina Monroe».

Em Caracas, durante uma acção de massas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou medidas de apoio à classe trabalhadora propostas pela Central Bolivariana Socialista, as quais incluem melhorias dos apoios sociais.

Em La Paz, o presidente Luis Alberto Arce, exortou o povo para, em unidade, defender a democracia, a estabilidade e o desenvolvimento económico do Estado Plurinacional da Bolívia.

Em São Paulo, o presidente Lula da Silva interveio no acto central comemorativo do 1.º de Maio, organizado em conjunto por várias centrais sindicais. «Ontem anunciámos o aumento real do salário mínimo. E, de agora em diante, o trabalhador receberá, além do aumento pela inflação, a média do crescimento do Produto Interno Bruto, como sempre fizemos nos nossos governos», realçou o dirigente brasileiro, assegurando que «a roda gigante da economia começa a girar» no Brasil.

Em grandes países da América como a Argentina e o México, e também no Chile, Colômbia, Peru, Uruguai, Equador e Panamá, entre outros, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio.

Na África do Sul, a presidente do Congresso dos Sindicatos Sul-africanos (COSATU), Zingista Losi, apelou à unidade das forças integrantes do governo do país. Num comício na província de Free State, sob o lema «Construir a unidade da classe trabalhadora para a libertação económica rumo ao socialismo», a dirigente sindical enfatizou que só essa unidade garantirá a vitória do Congresso Nacional Africano (ANC) e aliados nas eleições gerais de 2024.

Na China, o 1.º de Maio celebrou-se como é habitual com vários feriados, que as famílias aproveitaram para viajar, reunir-se e gozar dias de lazer. O presidente chinês, Xi Jinping, felicitou os trabalhadores e exortou-os a desempenhar um papel cada vez mais decisivo na construção que a China leva por diante de um «Estado socialista e forte».




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