Mãos sujas
O presidente dos EUA, Joe Biden, prolongou a ordem executiva 13962 que classifica a Venezuela como «uma ameaça inusual e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos». Em vigor desde 2015, por iniciativa do também «democrata» Obama, a legislação fez com que a Venezuela enfrentasse nestes últimos oito anos múltiplas «ameaças, chantagens, agressões e ataques que violam os direitos humanos de todo o povo venezuelano», como denuncia uma nota do governo de Caracas, em que se sublinha que a ordem executiva viola «as normas estabelecidas no direito público internacional», dá «continuidade à criminosa política de agressão contra o povo venezuelano por via da imposição ilegal de medidas coercivas unilaterais», e constitui «um crime contra a humanidade».
Dias antes, a 28 de Fevereiro, a administração de Biden também voltou a incluir Cuba na lista espúria de países que alegadamente patrocinam o terrorismo, pretexto para manter o criminoso bloqueio com que há 61 anos flagelam a ilha, e que a preços correntes, estimam as autoridades cubanas, causou danos num valor superior a 150 mil milhões de dólares.
Nenhum dos temas consta da agenda da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que por estes dias ruma a Washington depois de uma passagem pelo Canadá, para falar de cooperação em matéria de «tecnologia limpa». Bruxelas queixa-se do apoio dos EUA à produção local de tecnologias limpas com 370 mil milhões de dólares, o que a UE diz ser discriminatório e contrário às regras da Organização Mundial do Comércio.
A queixa seria patética se não fosse hipócrita. Como se Leyen não soubesse que a regra é a excepção às regras sempre que tal interessa a quem dita as regras, e que não há nada de limpo no capitalismo.