Irrelevâncias

Anabela Fino

Heinrich Bücker, um activista pela paz alemão, foi condenado em Janeiro por um tribunal de Berlin por criticar publicamente a política da Alemanha em relação à Ucrânia. Multado já em 2000 euros, Bücker incorre numa pena de prisão de até três anos.

Antifascista, membro do Conselho de Paz Alemão e da World Beyond War, Bücker denunciou, num discuso no Memorial Soviético em Treptow Park, por ocasião do 81.º aniversário da invasão da URSS pela Alemanha nazi, a conivência do governo alemão com os nazis na Ucrânia.

«É incompreensível para mim que a política alemã esteja a apoiar de novo as mesmas ideologias russofóbicas com que o Reich alemão encontrou cúmplices em 1941, com quem cooperou estreitamente e assassinou em conjunto», afirmou Bücker, dizendo compreender as razões invocadas por Putin. O tribunal baseou-se nessas declarações para o condenar, o que é entendido como uma tentativa de intimidar e silenciar a crescente oposição interna à política belicista e militarista do governo alemão.

O afunilamento do espaço para debate e as restrições maciças à liberdade de expressão estão na ordem do dia, a par do cerco das autoridades de investigação criminal. O mesmo sucede nos EUA onde, em meados do ano passado, o FBI invadiu a casa do fundador do Movimento Uhur, Omali Yeshitela, e da esposa, a vice-presidente Ona Zené Yeshitela, críticos do apoio dos EUA à Ucrânia. Os federais chegaram às 5 da manhã, com grande aparato, forçaram a entrada, algemaram o casal e arrastaram-no para a rua. Omali Yeshitela tem 81 anos.

Como diria George Orwell, tudo isso é irrelevante num sistema doutrinário que funciona bem, no qual «ideias impopulares podem ser silenciadas e factos inconvenientes mantidos na sombra, sem a necessidade de qualquer proibição oficial».




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