África e China consolidam laços

Carlos Lopes Pereira

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Qin Gang, terminou há dias um périplo por África, que incluiu Etiópia, Gabão, Angola, Benim e Egipto, países de diferentes sub-regiões do continente.

Em Adis Abeba, manteve encontros com governantes etíopes e dirigentes da União Africana (UA) e inaugurou a nova sede do Centro para Controlo de Doenças (CCD), construída com apoio chinês e em fase de conclusão. Lembrou que a cooperação entre China e África «alcançou na última década indicadores históricos que atraíram a atenção mundial», sendo disso exemplo a adesão da UA e de 52 dos 55 países do continente à Iniciativa da Faixa e da Rota, o grande projecto chinês para desenvolvimento do comércio à escala mundial. «Construímos centenas de infra-estruturas em países africanos e o Centro de Conferências da UA, a linha férrea Etiópia-Djibuti, a auto-estrada de Nairobi e o CCD-África demonstram a solidez dessa associação», destacou.

Na capital etíope, Qin Gang reafirmou a vontade de Pequim em aprofundar as relações de cooperação com África. Lembrou que 2023 poderá ser um «novo e histórico ponto de partida»: a China iniciou a etapa para «construir um país socialista moderno em todos os aspectos» e os países africanos vão comemorar os 60 anos da fundação, em 25 de Maio de 1963, da Organização da Unidade Africana (OUA), a antecessora da UA.

Enumerando quatro eixos para o desenvolvimento das relações China-África, realçou, em primeiro lugar, que o seu país continuará a apegar-se ao princípio da sinceridade, de resultados reais, amizade e boa-fé, defendendo a justiça e a partilha de interesses, ampliando as trocas e a cooperação com a África em diversos campos e a todos os níveis. E apoiou a África do Sul na sua exitosa presidência rotativa do grupo dos BRICS, bem como o Uganda na realização da cimeira do Movimento dos Não Alinhados.

Defendeu o aprofundamento das relações amistosas entre a China e a UA, lembrando que Pequim liderou o apoio à adesão da UA ao Grupo dos Vinte (G20) e defende um papel mais amplo da UA e dos países africanos no sistema de governança global.

Um terceiro eixo tem a ver com a necessidade de se realizarem mais esforços para actualizar a cooperação China-África, implementando os resultados de acordos já estabelecidos e continuando a aumentar o comércio entre as duas partes, a promover o desenvolvimento de alta qualidade na cooperação e a ampliar os novos motores do crescimento na saúde, desenvolvimento verde e economia digital para proporcionar mais apoio ao progresso económico e social de África.

Em quarto lugar, Qin Gang enfatizou a necessidade de salvaguardar com firmeza a solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento.

Destacou, em suma, o imperativo de promover a confiança e a auto-suficiência, defender os valores comuns da humanidade, opor-se aos «actos hegemónicos, prepotentes, intimidatórios e de discriminação racial», defender conjuntamente o autêntico multilateralismo, promover a democracia nas relações internacionais, elevar a representação e a voz dos países em desenvolvimento, em especial os países africanos, no Conselho de Segurança das Nações Unidas e em outras organizações internacionais, e trabalhar juntos para fazer o sistema de governança global mais justo e equitativo.




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