Frente Polisário realiza 16.º Congresso

A Frente Polisário realizou o seu 16.º Congresso entre os dias 13 e 17 deste mês, no campo de refugiados sarauís de Dajla, no sul da Argélia. O PCP esteve representado por João Pimenta Lopes, membro do Comité Central e deputado no Parlamento Europeu.

«Intensificar a luta para expulsar o ocupante e impor a soberania» foi o lema da assembleia

O congresso, que contou com cerca de dois mil delegados e com mais de três centenas de convidados internacionais, realizou-se sob o lema «Intensificar a luta para expulsar o ocupante e impor a soberania», procedendo à avaliação dos três anos decorridos sobre o último congresso, elegendo uma nova direcção e definindo o caminho para cumprir o direito à autodeterminação, libertar os territórios ocupados e garantir um Sara Ocidental livre, independente e soberano.

Na sua alocução sobre o balanço do período decorrido entre congressos, Brahim Ghali, secretário-geral da Frente Polisário, aludiu aos desafios enfrentados neste período, quer pelas exigências impostas pela pandemia, quer pelo agravamento da estratégia de agressão por parte do Reino de Marrocos, que determinou o fim do cessar-fogo em final de 2020.

Caracterizando o povo sarauí como um povo defensor da paz e que anseia poder estabelecer relações fraternais com o povo marroquino, lamentou que, por duas vezes em 50 anos, seja forçado a recorrer à luta armada para se defender e conquistar o seu direito à autodeterminação, pondo fim àquela que é a última colonização em África.

Criticou a cumplicidade das grandes potências, entre as quais a União Europeia, com o Reino de Marrocos, e a sua passividade ante o incumprimento de sucessivas deliberações da Organização das Nações Unidas.

Valorizando a mobilização e apoio da diáspora sarauí, apelou ao reforço da solidariedade internacionalista com a causa do povo sarauí, que prosseguirá a resistência contra a ilegal ocupação marroquina até à libertação de todo o território do Sara Ocidental.

Confiança na vitória
da causa sarauí

Representado por João Pimenta Lopes, membro do Comité Central e deputado no Parlamento Europeu, o PCP interveio perante o Congresso, expressando a solidariedade dos comunistas portugueses para com a luta da Frente Polisário, legítima representante do povo sarauí, informando da sua intervenção em Portugal e no PE a exigir o fim da ocupação ilegal de territórios do Sara Ocidental pelo Reino de Marrocos, o cumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e das relevantes resoluções da ONU.

Afirmando a confiança na vitória da causa sarauí e a importância do seu exemplo de resistência, o PCP expressou a exigência do fim da violenta repressão exercida pelo Reino de Marrocos e a libertação dos activistas sarauís encarcerados nas suas prisões marroquinas. Entre outros aspectos, o PCP denunciou a violenta ofensiva do imperialismo, incluindo sobre o continente africano, onde procura impor relações de natureza neocolonial.

João Pimenta Lopes teve ainda oportunidade de integrar uma delegação com deputados do Parlamento Europeu que se reuniu com Brahim Ghali, secretário-geral da Frente Polisário.




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