Luta em unidade na Autoeuropa parou produção e reclama resposta
Após as greves parciais, nos dias 17 e 18, que tiveram forte adesão e levaram à paragem da produção, exige-se que a administração da Volkswagen Autoeuropa apresente amanhã uma proposta salarial.
Falta concretizar a posição patronal para aumento salarial extraordinário
Nas vésperas da luta, decidida em plenários de trabalhadores, o agendamento de uma reunião para dia 25, acompanhado de uma vaga intenção de actualização salarial, foi encarado pelo SITE Sul como uma tentativa de desmoblização.
Com o mesmo objectivo – como foi denunciado pelo PCP na Assembleia da República, numa pergunta à ministra do Trabalho, dia 17 –, terão sido convocados trabalhadores para prolongarem o seu turno por duas horas, assim substituindo aqueles que, devido à greve, iriam atrasar a entrada ao serviço.
A concretização da greve, em quatro períodos de duas horas, com grande adesão e concentrações na portaria, mostrou «o verdadeiro descontentamento existente entre os trabalhadores da VW Autoeuropa, com todo este processo, nomeadamente a falta de respostas concretas e objectivas, com uma contraproposta com números em cima da mesa», considerou o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN.
Numa nota de imprensa emitida dia 21, a desmentir a versão patronal sobre a adesão à greve e o seu impacto na fábrica automóvel de Palmela, o SITE Sul reiterou que, nos períodos de greve, «não saiu um único carro no final da linha de produção». O sindicato antecipou que «vai ouvir os trabalhadores e decidir novas formas de luta», se, na reunião de amanhã, a administração da VW Autoeuropa não apresentar nenhuma proposta de aumento salarial extraordinário.
A greve começou às 15h20 de quinta-feira, com uma forte adesão, levando a que ficassem totalmente paradas as principais áreas da produção, como a montagem final, a pintura, o body (carroçarias) e as prensas, informou então o sindicato. Assim foi nos restantes três turnos, até às 17h20 de sexta-feira.
Em grande número, os trabalhadores concentraram-se na zona da portaria, durante os períodos de greve. Aqui, no início da luta, intervieram dirigentes sindicais, entre os quais Rogério Silva, da Comissão Executiva da CGTP-IN e coordenador da Fiequimetal. Foram dadas a conhecer várias saudações, como as da União dos Sindicatos de Setúbal e das comissões sindicais do SIESI nas empresas Visteon, Hanon, CSP e BorgWarner.
A solidariedade do PCP foi reafirmada por uma delegação que integrou Bruno Dias, membro do Comité Central do Partido e deputado na AR.