Década decisiva

Anabela Fino

A nova «Estratégia de Defesa Nacional» dos EUA, divulgada há dias, afinal é velha. Num documento de 48 páginas os EUA arrogam-se o direito de dirigir o planeta, como consta no texto de abertura apresentado por Biden: «Na medida em que o mundo continua à mercê dos impactos persistentes da pandemia e incerteza económica global, não há nação melhor posicionada para liderar com força e propósito do que os Estados Unidos da América».

Sem surpresa, a estratégia da liderança auto-assumida aponta a China como o «desafio geopolítico mais importante da América», pois embora Washington considere que a Rússia representa uma «ameaça imediata e contínua à ordem de segurança regional na Europa», opina que carece das «capacidades de todo o espectro da República Popular da China».

Segundo Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional, a «premissa fundamental da estratégia é que entramos numa década decisiva em relação a dois desafios estratégicos fundamentais. A primeira é a competição entre as grandes potências para moldar o futuro da ordem internacional. E a segunda é que, enquanto essa competição está em andamento, precisamos lidar com um conjunto de desafios transnacionais que afectam as pessoas em todo o lado».

Está dado o mote. Num documento onde os EUA reafirmam o direito de intervir por todos os meios seja onde for que os seus interesses sejam postos em causa, o grande dedo acusador do «tio Sam» aponta os inimigos da próxima década: China, Rússia e quem se atreva a segui-los.

Escusado será dizer que ninguém dos poderes instituídos se escandalizou. Chamam a isto democracia, e ainda se espantam que a extrema-direita vá tomando conta da ocorrência. O que está a suceder na Europa é apenas um pronúncio do que poderá ser o cenário dantesco da próxima década, se nada for feito pela paz.




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