Partido continua a celebrar José Saramago
Com três iniciativas no sábado, 24, as organizações do PCP prosseguem as comemorações do centenário do nascimento de José Saramago.
«Escritor universal, intelectual de Abril, militante comunista» é o lema das comemorações
Ao longo de todo o ano, o Partido tem promovido, e continuará a dinamizar sob o lema , iniciativas para assinalar os cem anos do nascimento do Prémio Nobel da Literatura português.
No passado sábado, em Setúbal, no centro de trabalho do PCP, as «Conversas + Avante!», que a organização concelhia local promove com regularidade, foram, desta feita, centradas em José Saramago. José Nobre procedeu à leitura de textos. Helena Mendes e Helena Pratas abrilhantaram o convívio com um momento musical, e Jorge Pires, da Comissão Política do PCP, interveio destacando «não apenas o intelectual e o escritor, portador de uma obra excepcional, mas também o homem que, tendo origem numa família de camponeses – gente muito humilde, acabou por se transformar num escritor mundialmente reconhecido, sem, porém, deixar de assumir a sua condição de comunista e percorrendo o planeta para levar a outros povos a sua reflexão sobre a situação no mundo.
No mesmo dia, mas na Biblioteca Municipal de Loulé, cerca de 25 pessoas estiveram numa sessão pública dedicada à obra de José Saramago «Viagem a Portugal». Um livro-charneira na obra do escritor, a caminho da consagração literária.
A iniciativa, moderada por Ângelo Nascimento, da Direcção da Organização Regional do Algarve do PCP, contou com as intervenções de Carina Infante do Carmo e de Ana Isabel Soares, ambas professoras universitárias, assim como com reflexões e comentários da assistência.
Neste encontro foi sublinhada a respiração longa do livro que associa viagem, pensamento e sonho. Afinal de contas, «Viagem a Portugal» desce «ao fundo das coisas vistas e das pessoas encontradas», descobre e dá a ver lugares esquecidos, pedras abandonadas, saberes e fazeres secularmente invisibilizados do nosso povo, os quais levam a pensar e ensinam a ver Portugal, convocando subtilmente um sentido emancipatório da memória colectiva.
Finalmente, também no sábado, 24, a Casa do Cinema de Coimbra e o PCP, em colaboração com a Fundação José Saramago, deram início a um ciclo de cinco sessões cinematográficas comentadas.
Os filmes, quatro adaptações de textos literários do escritor e um documentário, contribuem para a divulgação e o debate em torno da obra de José Saramago. O primeiro foi justamente «O Homem Duplicado», de Denis Villeneuve (2013), seguido de uma conversa com Sérgio Dias Branco e Inês Seabra, docentes universitários e investigadores.