Roteiro para aumentar e defender a produção agrícola nacional
No domingo, o PCP lançou um roteiro sobre «Soberania Alimentar» para aumentar a capacidade produtiva, reduzir a dependência externa, evitar a escassez de alimentos e travar o aumento especulativo dos preços.
Apoiar a agricultura é um imperativo nacional
A iniciativa foi apresentada após uma visita do Secretário-geral do PCP a uma exploração agrícolae de um encontro com a direcção da LOURICOOP – Cooperativa de Apoio e Serviços do Concelho da Lourinhã. Em ambos os momentos, pôde constatar – a par da vontade, capacidade e possibilidade de produção – as consequências da política de destruição do aparelho produtivo nacional por sucessivos governos PS, PSD e CDS, que hoje se caracteriza pela inacção no controlo dos preços dos principais factores de produção: a electricidade, os fertilizantes ou os combustíveis tiveram, em alguns casos, mais de 200 por cento de aumento. Entre agricultores e dirigentes agrícolas, a iniciativa contou com a presença de João Frazão, da Comissão Política do Comité Central do Partido.
Vale a pena produzir
«Podíamos ir ver situações difíceis e até desgraçadas», mas, com esta visita, «queremos demonstrar que vale a pena produzir no nosso território», salientou Jerónimo de Sousa, dando como exemplo a Malaquias & Malaquias, empresa – onde esteve primeiro – que desenvolve a sua actividade principal no âmbito de fruta e dos produtos hortícolas, exportando 60 por cento dos seus produtos para o estrangeiro.Em armazém estavam 300 toneladas de abóbara, a maior parte com destino para França.
Agora, vivem-se momentos de incertezarelativamente à evolução dos preços dos custos de produção que são «três vezes superiores» aos de 2021, salientou José Maria, um dos sócios gerentes da empresa, com cerca de 20 trabalhadores. No ano passado, por exemplo, as couves foram vendidas abaixo do preço de custo, informou.
Subida de preços
«A subida gradual ou incontrolável dos preços dos custos de produção pode levar à ruína e incapacidade de resposta» de muitos agricultores», alertou o Secretário-geral do PCP, que reclamou do Governo «apoios» para um sector «tão importante» como a agricultura, «tendo em conta a dependência que temos de bens alimentares». Entre outras medidas, o Partido propõe um apoio ao gasóleo verde colorido, bem como aos custos com a electricidade nas actividades de produção, armazenagem, conservação e comercialização de produtos agrícolas e pecuários. Outra das ideias trazidas é a criação de um regime público simplificado para aquisição de bens alimentares, provenientes da pequena e média agricultura e pecuária nacional e da agricultura familiar, promovendo o escoamento desses bens a um preço justo à produção e o seu consumo em refeições fornecidas em cantinas e refeitórios instalados em serviços do Estado e empresas públicas.
«Aceitar as regras cegas do mercado pode conduzir ao abandono de milhares de produtores», avisou Jerónimo de Sousa, que apelou à participação de todos na «batalha» da defesa da produção nacional, uma vez que «em Portugal é possível produzir mais e melhor, defender a nossa agricultura e os nossos agricultores».