Encontrar o Partido que sempre foi nosso
Há militantes que chegam ao Partido com um lastro familiar de ligação à luta revolucionária, incluindo com membros da família já pertencentes ao grande colectivo que é o PCP, e, nesse caso, assumindo que tal teve, em maior ou menor grau, influência na sua adesão. Há os que chegam experimentando condições materiais duras, confrontando-se com a exploração, com a linha ténue que, no sistema capitalista, para a imensa maioria do proletariado e para vastas camadas proletarizadas ou à beira disso, divide a sobrevivência penosa da indigência absoluta. Há os que chegam por um contacto com um amigo, um colega de trabalho, um grupo de militantes que os atraiu para o combate deste lado da barricada. É o caso de Bianca e Sandra, militantes recentes do PCP no distrito de Viseu.
Bianca já frequentou o Ensino Superior, mas o curso desiludiu-a logo nos primeiros momentos, pelo que hoje trabalha numa cadeia da grande distribuição. Tem 20 anos e divide o seu tempo entre os distritos de Viseu e Coimbra. Ao Avante!, confessou que sempre sentiu que o comunismo era o seu ideal. De resto, foi pela mão de um amigo de infância que a conhece muito bem, que Bianca acabou por se inscrever na JCP e, no início deste ano, no PCP. Mas a ausência de ligações familiares e do círculo social mais alargado ao trabalho pela transformação radical da sociedade, retardaram a tomada de Partido.
Conversas com o amigo e cicerone da entrada de Bianca na JCP e no PCP, essas foram muitas e anteriores à sua inscrição, assegurou. Começar a ler os documentos e alguns clássicos do marxismo-leninismo, também. Uma espécie de preparação do terreno feita pelas próprias mãos, que resultou na adesão consciente e convicta por altura das últimas eleições legislativas.
Neste momento, Bianca está a integrar-se no colectivo, não descartando a hipótese de, no local de trabalho, desafiar outros dois militantes a formarem uma célula.
Sandra é 25 anos mais velha do que Bianca. Animadora sócio-cultural numa IPSS, acumula já, aos 45 anos, alguma experiência enquanto delegada sindical. Foi justamente por aí que se estreitou o contacto com o Partido que, garantiu, sempre sentiu que era o seu.
Após ter ido a uma manifestação da CGTP-IN, travou amizade com um conjunto de camaradas da vila onde reside. Grupo unido composto por gente que não desconhecia completamente, foi sendo puxada para as tarefas, a acção política nas autarquias, para distribuições e contactos com trabalhadores em empresas e locais de trabalho, para os convívios e os grandes momentos de celebração e afirmação comunista.
Sandra acabou por se inscrever no dia do centenário do Partido e pelo testemunho que ofereceu – alegre, confiante, de quem vive a militância com disponibilidade e entusiasmo, com a sensação segura de quem sempre pertenceu à luta dos explorados e oprimidos –, já não será capaz de viver sem esta intervenção que vem do fundo do tempo, manifesta-se no presente e projecta-se no futuro de todos os que a ela se entregam e daqueles que o farão, mais tarde ou mais cedo.