Reforço da NATO ameaça a paz e confronta a Constituição

No debate parlamentar sobre a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, o PCP sublinhou os princípios inscritos na Constituição da República, entre os quais se contam a defesa da paz, o desarmamento e a dissolução dos blocos político-militares.

Finlândia e Suécia abdicaram da sua posição de neutralidade

A afirmação das posições do Partido, no debate realizado no dia 16, coube à presidente do grupo parlamentar, Paula Santos, que começou por sublinhar o significado de mais este alargamento da NATO: a adesão da Finlândia e da Suécia, garantiu, «não só não contribuem para promover a segurança na Europa, como representam mais um passo no aumento da tensão na Europa e no plano internacional e um novo elemento de confrontação e de escalada do militarismo e da guerra». É, por isso, contrária aos interesses dos povos e de um caminho de paz, acrescentou.

Com esta adesão, prosseguiu a deputada comunista, a Finlândia e a Suécia «abdicam da sua posição de neutralidade». Foi, aliás, na capital finlandesa, Helsínquia, que se realizou entre 1973 e 1975 a Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa, cujos princípios, consagrados na sua Acta Final, se revelaram de «extrema importância para assegurar a paz e segurança colectiva na Europa».

Paula Santos considerou ainda o «contínuo processo de alargamento da NATO para Leste na Europa, acompanhado do avanço de manobras e instalação de equipamentos militares cada vez mais próximo das fronteiras da Federação Russa», como um dos factores que contribuiu para o desencadear da guerra na Ucrânia. Recuando no tempo, a parlamentar comunistas recordou que os cinco alargamentos da NATO verificados desde 1999 (o primeiro deles em plena agressão à Jugoslávia) contrariam «compromissos assumidos desde o fim da República Democrática Alemã e sua integração na República Federal da Alemanha, em 1990».

História, meios e princípios

A posição do PCP, destacou Paula Santos, tem presente o disposto no artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa, que estabelece que «Portugal preconiza (...) o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança coletiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos». E não deixou que ficasse esquecido o papel da NATO no suporte à ditadura fascista em Portugal e à sua guerra colonial, bem como as ameaças sobre a jovem democracia, em plena revolução de Abril.

Para a presidente do grupo parlamentar do PCP, e membro da Comissão Política, é «chocante» a mobilização de avultados meios financeiros para promover o militarismo e a guerra, ainda mais quando tal não é feito para aumentar salários e pensões e reforçar direitos sociais.

O voto contra do PCP a mais este alargamento da NATO explica-se, assim, pelo caminho defendido desde sempre pelos comunistas: de promoção da paz e cooperação entre os povos, contra a escalada de guerra, a corrida aos armamentos, o aumento das despesas militares, o autoritarismo e a promoção de forças fascistas e fascizantes, pelo fim dos blocos político-militares, pelo desarmamento geral.

PS, PSD, Chega, Iniciativa Liberal e Livre aprovaram as propostas de resolução do Governo sobre a adesão dos dois países nórdicos e o BE votou ao lado do PCP.




Mais artigos de: Assembleia da República

Governo insiste na farsa e recusa proteger o povo

Foram recusadas as propostas do PCP para que a resposta do Governo ao aumento brutal do custo de vida ataque efectivamente a causas do problema e proteja os direitos e as condições de vida das camadas populares.

O futuro de Portugal está nos valores de Abril

A história do constitucionalismo português fez-se «de avanços e recuos, de anseios do povo português, da sua participação e dos seus direitos conquistados a pulso», começou por afirmar Alma Rivera na sessão solene evocativa dos 200 anos da aprovação da Constituição de 1822, que teve lugar no dia 23 na Assembleia da...

«Ponto único de contacto» gera preocupação

O PCP votou contra a proposta do Governo de concentrar num órgão unipessoal, directamente dependente do primeiro-ministro, a ligação com a Europol e a Interpol. Como explicou na Assembleia da República a deputada Alma Rivera, está em causa a concretização da retirada dos instrumentos de cooperação internacional do...

Propaganda e «passa-culpas» não apagam fogos

«O Governo anuncia e a floresta arde.» Esta continua a ser a realidade do País no que à prevenção e combate aos incêndios diz respeito, afirmou no dia 21 a deputada comunista Alma Rivera. Porém, para lá da propaganda governamental, há propostas para garantir uma resposta mais eficaz aos fogos florestais, há muito...