Governo insiste na farsa e recusa proteger o povo

Foram recusadas as propostas do PCP para que a resposta do Governo ao aumento brutal do custo de vida ataque efectivamente a causas do problema e proteja os direitos e as condições de vida das camadas populares.

PS, PSD, Chega e IL não tocam nos lucros extraordinários

O denominador comum à rejeição das propostas comunistas é o PS, que votou contra todas e cada uma delas, deixando à mostra não só as suas reais opções políticas como também a hipocrisia da sua alegada disponibilidade para o diálogo com maioria absoluta. Na maioria dos casos, PSD, IL e Chega juntaram-se ao PS, impedindo dessa forma que se tocasse nos interesses – e nos lucros – dos grupos económicos e se defendesse os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo.

As propostas apresentadas pelo Partido iam ao encontro das que constavam do seu projecto de resolução, discutido – e rejeitado por PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal – no dia 16. Ao nível da valorização dos rendimentos, o PCP propunha que se aplicasse o que está definido na lei quanto à actualização das pensões e que fosse eliminado da proposta do Governo o regime transitório que ela inclui – que prevê um significativo corte no poder de compra desta camada social. E, simultaneamente, apontava ao aumento intercalar das pensões ainda em 2022, de 6,9 por cento. O mesmo era proposto para os salários e prestações sociais.

No plano dos direitos dos trabalhadores, mas com uma forte componente na retribuição mensal, foram propostos o fim da caducidade da contratação colectiva e a reposição do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador.

Travar a especulação

A fim de esbater o impacto dos brutais aumentos dos preços da energia e dos combustíveis, o PCP propôs a eliminação da dupla tributação do IVA no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), a redução para seis por cento do IVA na electricidade e no gás, a simplificação do acesso à tarifa regulada de eletricidade e gás, ou o seu prolongamento, e ainda o controlo e fixação de preços nos combustíveis, impedindo dessa forma margens especulativas.

Uma outra proposta visava a tributação dos ganhos extraordinários dos sectores energético, bancário, segurador e da distribuição alimentar, com contribuição aplicável às empresas com lucros superiores a 35 milhões de euros em 2022 e 2023. Significativamente, esta foi uma daquelas em que PS, PSD, Ch e IL se uniram para votar contra.

Ao nível da habitação, o PCP previa o controlo das rendas, impedindo aumentos acima de 0,43 por cento e travando qualquer actualização nas rendas apoiadas, ao mesmo tempo que garantia protecção da casa de morada de família, proibindo despejos e denúncia de contratos. A fixação de um spread máximo por parte da Caixa Geral de Depósitos, impedia aumentos brutais nas prestações.

As votações decorreram nos dias 21 e 22 na Comissão de Orçamento e Finanças, após a aprovação na generalidade, na semana anterior, da proposta de lei do Governo. Para além das propostas de alteração apresentadas pelo próprio PS, todas as demais foram rejeitadas.

É a vida concreta das pessoas

Intervindo no plenário da Assembleia da República no último dia de votações, Bruno Dias garantiu que o que ali estava em causa eram «situações da vida concreta das pessoas»: com a proposta do Governo, um reformado com uma reforma de 500 euros vai perder durante todo o ano de 2022 «cerca de 490 euros do seu poder de compra» e um trabalhador com um salário de 1000 euros vai perder cerca de 700 euros.

Entretanto, prosseguiu o deputado comunista, o gasóleo e a gasolina aumentaram quase 25 por cento em 2021 e mais 36 por cento este ano – os lucros da GALP no primeiro semestre do ano «passaram de 116 milhões para 420 milhões» e o Governo recusa medidas para travar as subidas de preços e taxar os lucros.

As propostas do PCP, garantiu Bruno Dias, visavam precisamente repor por inteiro o poder de compra perdido por trabalhadores e reformados e, ao mesmo tempo, travar a escalada especulativa dos preços. Foi isto que o PS, o Governo e os partidos mais à direita se recusam a resolver.




Mais artigos de: Assembleia da República

Reforço da NATO ameaça a paz e confronta a Constituição

No debate parlamentar sobre a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, o PCP sublinhou os princípios inscritos na Constituição da República, entre os quais se contam a defesa da paz, o desarmamento e a dissolução dos blocos político-militares.

O futuro de Portugal está nos valores de Abril

A história do constitucionalismo português fez-se «de avanços e recuos, de anseios do povo português, da sua participação e dos seus direitos conquistados a pulso», começou por afirmar Alma Rivera na sessão solene evocativa dos 200 anos da aprovação da Constituição de 1822, que teve lugar no dia 23 na Assembleia da...

«Ponto único de contacto» gera preocupação

O PCP votou contra a proposta do Governo de concentrar num órgão unipessoal, directamente dependente do primeiro-ministro, a ligação com a Europol e a Interpol. Como explicou na Assembleia da República a deputada Alma Rivera, está em causa a concretização da retirada dos instrumentos de cooperação internacional do...

Propaganda e «passa-culpas» não apagam fogos

«O Governo anuncia e a floresta arde.» Esta continua a ser a realidade do País no que à prevenção e combate aos incêndios diz respeito, afirmou no dia 21 a deputada comunista Alma Rivera. Porém, para lá da propaganda governamental, há propostas para garantir uma resposta mais eficaz aos fogos florestais, há muito...