Ano lectivo arranca com medidas avulsas

A duas semanas do início do ano lectivo «alguns aspectos do funcionamento das escolas ainda não estão devidamente esclarecidos» e outros «nem sequer são conhecidos», acusa o PCP.

100 mil alunos não vão ter professor a todas as disciplinas

Em conferência de imprensa realizada anteontem, 30 de Agosto, Jorge Pires, da Comissão Política do Comité Central, salientou que «100 mil alunos não vão ter professor a todas as disciplinas» no início do ano lectivo. Responsabilizou por isso o Governo de recorrer a «medidas avulsas» ao obrigar «milhares de professores com sérios problemas de saúde a desempenhar actividade lectiva, alguns dos quais muito longe da sua área de residência ou de tratamento, o que vai aumentar o número de baixas médicas», e de «colmatar a falta de docentes a algumas disciplinas» com a contratação de «licenciados sem habilitação profissional».

«O Governo pretende deitar a mão à solução mais barata, em prejuízo da aposta na qualidade do processo ensino/aprendizagem», não se vislumbrando, «bem pelo contrário, aquele que deveria ser o caminho: a negociação com os sindicatos, de melhores condições de trabalho nas escolas, da revalorização da carreira docente por via da sua reposição, de medidas de combate à precariedade e, ainda, de rejuvenescimento da profissão», salientou Jorge Pires.

O PCP acusa também o Executivo PS de «continuar sem reforçar devidamente o crédito de horas às escolas», um «problema que poderá agravar-se com a não colocação de cerca de três mil docentes em mobilidade por doença».

«O Governo parece mais preocupado com o custo do investimento do que com a necessidade de melhorar as aprendizagens dos alunos. É o que acontece quando as políticas públicas são suportadas, em parte significativa, por fundos europeus e não por investimento nacional», apontou o dirigente comunista.

Desigualdades

Para o Partido, «as desigualdades entre as crianças e os jovens em idade escolar», são «promotoras do abandono precoce e das retenções». Uma das causas «está nas diferenças substanciais da capacidade financeira das famílias, numa altura em que as despesas com o material escolar tiveram aumentos significativos», realçouJorge Pires, insistindo na proposta do PCP de «gratuitidade dos livros de fichas de exercícios».

Os problemas agravam-se com «a imposição da transferência de competências para as autarquias» e o facto de «centenas de milhar de crianças do 1.º ciclo do Ensino Básico» serem «obrigadas a permanecer nos espaços escolares entre as 9 e as 19 horas, por vezes dentro da mesma sala de aula, porque é aí que se desenvolvem as denominadas actividades de enriquecimento curricular».

Ainda sobre «o tempo excessivo de permanência de crianças e adolescentes nos espaços escolares», o PCP rejeita «visões que responsabilizem os pais pelo pouco tempo passado com os filhos». «É necessário ligar o excessivo tempo passado na escola com a necessidade de reduzir e combater a sua desregulação, respeitar os direitos de parentalidade e fazer sair do papel para a realidade o direito ao desporto, à cultura, ao lazer e tempo livre, pelo que se exige um grande debate nacional sobre o modelo de escola para o futuro e, quando necessária, a resposta social aos alunos e suas famílias», apelou Jorge Pires.




Mais artigos de: PCP

Não se defende o SNS servindo o sector privado

Numa declaração proferida no dia 25 por Bernardino Soares, do Comité Central, o PCP insistiu num conjunto de medidas essenciais para defender e recuperar o SNS, reafirmadas dias depois, na sequência da demissão da ministra da Saúde, Marta Temido.

Fixar preços máximos no gás e na electricidade

O estabelecimento de preços máximos para o gás e a electricidade é absolutamente indispensável para travar e inverter a escalada de preços, garante o PCP, que defende o IVA a 6 por cento e a taxação extraordinária de lucros especulativos.

Centenário de Saramago assinalado com livro sobre a sua vida e obra

José Saramago, um escritor com o seu povo, assim se chama o livro que as Edições Avante! acabam de editar inserido no programa de comemorações do centenário de José Saramago promovido pelo PCP e que teve o seu lançamento em sessão pública, dia 25, na Feira do Livro de Lisboa.

Nos Açores, verão e sol não são para todos

Num comunicado recente, a Direcção da Organização da Região Autónoma dos Açores do PCP denuncia o agravamento da situação social no arquipélago, ao mesmo tempo que crescem os lucros dos maiores grupos económicos. Em causa estão, desde logo no sector do turismo, «desregulação dos horários, desrespeito pelos dias de...

Direitos e estabilidade nas Forças Armadas, defende o PCP

O PCP está preocupado com o recente anúncio da abertura do concurso para a categoria de Praça em Regime de Contrato Especial no Exército, com duração de 14 anos. Num comunicado do seu Gabinete de Imprensa, emitido no dia 24, o Partido questiona as razões pelas quais não foram abertas as vagas para o quadro permanente,...

«O Militante» com toda a actualidade

O lema «Tomar a iniciativa, reforçar o Partido, responder às novas exigências», da Conferência Nacional que o PCP vai realizar nos dias 12 e 13 de Novembro, no concelho do Seixal, abre o número 380 da Revista «O Militante», que hoje sai. No seu interior pode encontrar artigos de grande...

Solidariedade do PCP

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações está a promover até meados de Setembro acções de contacto e denúncia nas capitais de distrito, sobre a grave situação nos CTT. Ontem, 31, uma delegação do PCP esteve presente na iniciativa realizada em Coimbra, prestando solidariedade com aqueles que...

Construir a Festa, afirmar o Partido

A Festa do Avante!, que arranca já amanhã, está pronta para receber os milhares de visitantes que por lá passarão. Para a erguer, foram muitos os militantes e amigos, de todas as idades, de todo o País, novatos ou mais experientes, que despenderam a sua energia, esforço e tempo. Só assim,...