Alternativa versus alternância
Em declarações prestadas no domingo, 14, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (PPC) –, que se deslocou à Quarteira, no Algarve, para participar na Festa do Pontal do PSD, naquilo a que, curiosamente, chamam o comício da «rentrée» – considerou que Portugal precisa de um executivo diferente e disse acreditar que o actual líder do PSD, Luís Montenegro, «tem competência para preparar uma alternativa ao atual Governo.»
É um facto conhecido que o grande capital sempre apostou nas forças políticas que, em cada momento, melhor defendem os seus interesses de classe. Por isso mesmo, ora aposta nas opções políticas do PS, ora investe em projectos claramente reaccionários e retrógrados como os do PSD, CDS, IL e CH, ora os junta a todos na defesa de questões essenciais para que a exploração prossiga e o seu domínio esteja sempre garantido.
Na verdade, o que PPC proclama, ao declarar que «o actual líder do PSD tem competências para preparar uma alternativa ao actual governo», mais não é do que a velha lengalenga da ideologia dominante para dissimular a cíclica alternância do «vira o disco e toca o mesmo», que em 46 anos, pelas mãos do PS, PSD e CDS não tem feito outra coisa que não seja prosseguir a política de direita, com picos de maior agravamento, como aconteceu no seu governo (entre 2011 e Outubro de 2015).
Por conseguinte, não há nenhuma novidade nos desejos que PPC foi ao Algarve anunciar, de tão alinhados que estão com os desejos e o mando do grande capital.
De alternativa a sério falou no mesmo dia Jerónimo de Sousa, igualmente no Algarve, a alternativa patriótica e de esquerda. Essa sim, interessa aos trabalhadores, ao povo e ao País e, por mais obstáculos que lhe levante o capital monopolista, mais tarde ou mais cedo, avançará por vontade soberana do povo português.