Cuba precisa da nossa solidariedade

Albano Nunes

Há um dever de solidariedade para com a Ilha da Liberdade

O trágico incêndio na estação de depósitos de combustível de Matanzas, que custou a perda de vidas humanas, centenas de feridos e 14 desaparecidos, depois de vários dias de dramático combate foi finalmente extinto. Uma «vitória que gera vitória», assim se expressou então durante a sua visita ao local Miguel Diaz-Canel o Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República comparando «a paisagem do desastre ao golpe desvastador de um vulcão em erupção», ao mesmo tempo que logo anunciava «a passagem à ofensiva». Na mensagem de fraternal solidariedade que dirigiu ao PCC o PCP expressou «profunda confiança em que o povo cubano, empenhado na defesa da sua revolução socialista, vencerá mais esta dura provação».

Sim, não temos qualquer dúvida de que o povo cubano, com a mesma determinação e coragem com que sempre enfrentou as mais adversas situações, se empenhará com sucesso na luta para superar mais este golpe duríssimo na economia cubana. Um golpe que vem somar-se às consequências de outros desastres naturais que frequentemente atingem as Caraíbas com grande violência e dificultar a concretização de medidas de aperfeiçoamento do mecanismo económico em que o governo cubano está empenhado. Um golpe que exige o imediato desenvolvimento de acções de solidariedade para responder às mais graves consequências do sinistro e que os amigos de Cuba, ao mesmo tempo que desenvolvem as suas próprias iniciativas de apoio político e material, exijam dos governos dos seus países que correspondam ao apelo que lhes foi feito pelo Governo cubano. No combate ao incêndio Cuba contou com a valiosa ajuda de países como o México e a Venezuela, um exemplo que tem de frutificar, nomeadamente no que respeita a Portugal e o PCP intervirá activamente nesse sentido.,

Este é também o momento para intensificar a luta contra o criminoso bloqueio imposto pelos EUA que dura há mais de 60 anos e tanto sofrimento tem causado ao povo cubano. E para sublinhar que a solidariedade para com a Ilha da Liberdade, sendo elementar dever humanitário, é sobretudo um dever de reciprocidade para com a generosidade internacionalista da revolução cubana. Uma generosidade bem conhecida no plano da Saúde e do Ensino e que o combate à pandemia pôs uma vez mais em evidência. Uma generosidade que faz parte da própria natureza internacionalista da Revolução Cubana e que teve expressões de alcance histórico na luta contra o imperialismo, o colonialismo e o racismo, como na decisiva batalha de Cuito Canaval (1987-1988) em que as forças internacionalista cubanas com as FAPLA infligiram aos racistas sul-africanos e à UNITA a formidável derrota que consolidou definitivamente a independência de Angola e abriu caminho para a independência da Namíbia e a liquidação do criminoso regime do apartheid. Em vésperas das eleições angolanas de 24 de Agosto é oportuno recordá-lo.

Na hora de dar um novo impulso à solidariedade com Cuba é importante saber que o fazemos com um povo que com o seu exemplo tem dado muitíssimo à luta libertadora dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo.




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