Mulheres são as mais penalizadas com o aumento do custo de vida

A taxa de inflação em Portugal atingiu no mês de Julho os 9,1 por cento, valor que, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), é a maior variação de preços desde o final de 1992.

Governo não responde com eficácia!

«O aumento do custo de vida não para de aumentar», adverte o núcleo de Lisboa do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), em nota divulgada na segunda-feira, 1 de Agosto.

Como exemplo, refere-se que a energia aumentou 31,2 por cento e os alimentos 13 por cento. Também o valor médio de venda de casas disparou 17,2 por cento, em Março deste ano, e já se tinha verificado, em 2021, aumentos das despesas com habitação (5,9 por cento), «resultado da pressão imobiliária nos principais centros urbanos, agravadas agora com a subida das taxas de juro», observa o MDM. Simultaneamente, a taxa de privação material severa passou de 5,4 por cento em 2020 para seis por cento em 2021.

«Em boa verdade, estes indicadores só vieram confirmar o desespero em que grande parte da população tem vivido, de forma particular as mulheres, com o aumento abrupto do custo de vida», assegura o Movimento, frisando que «nenhuma região do País é tão desigual como a Área Metropolitana de Lisboa», a mais populosa do País e com muitas comunidades desfavorecidas, «com o risco de pobreza a chegar aos 16,9 por cento».

«Nos 18 municípios da Grande Lisboa ainda há territórios com várias carências, com uma expressão significativa de pessoas no desemprego, com baixos rendimentos ou pobreza material e de habitação precária. Impõe-se assim, com carácter de urgência, medidas de melhoria das condições de vida», defende o núcleo de Lisboa do MDM.

 

Não é aceitável

Para o MDM, «o aumento do custo de vida penaliza mais as mulheres», que «têm mais baixos salários e pensões, maior taxa de desemprego e trabalho com vínculo precário», constituindo «a maioria» das «famílias monoparentais» e da «população afectada pela pobreza».

«Em Junho de 2021, 27 por cento das mulheres recebia o ordenado mínimo, comparando com 22,6 por cento dos homens, e no final desse ano representavam 68 por cento dos trabalhadores não qualificados», esclarece o Movimento. Por outro lado, acrescenta, «não é aceitável» o facto de «os efeitos da crise» não serem «iguais para todos», quando «quem está a lucrar e a especular são os grandes grupos económicos». «Só a Galp, EDP, Sonae e Jerónimo Martins tiveram lucros de mil milhões de euros» e «a Banca está a apresentar aumentos de lucros significativos», adverte o MDM.

 

Preços vão continuar a subir

Tendo em conta que «os preços dos bens essenciais vão continuar a subir», o MDM considera que o Governo deve «intervir» com urgência «para contrariar a perda de rendimentos da população, resultante da enorme subida da inflação, através do aumento geral dos salários e pensões, regulação dos preços dos bens essenciais, do incentivo ao aumento de habitação pública e travar o aumento das rendas de habitação».

«Há condições financeiras – a receita fiscal do Estado, em Junho aumentou 28,7 por cento – para o Governo decidir um leque de políticas públicas direccionadas e articuladas para o combate à pobreza, para a redução da incidência de exclusão, à precariedade laboral, à melhoria da protecção no desemprego, à criação de estruturas e equipamentos públicos de apoio à infância, idosos e pessoas com deficiência», considera o Movimento.



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