Utentes da saúde dizem não ao negócio da doença
O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) exige do Governo «soluções imediatas» que garantam a recuperação e o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Garantir a toda a população um médico e um enfermeiro de família
Ontem, em vários pontos do País, os utentes promoveram acções para defender e valorizar o SNS, uma das mais importantes conquistas do 25 de Abril de 1974. De manhã, junto ao Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, os utentes reclamaram do Executivo PS a resolução de um conjunto de problemas que assolam a região, com cerca de 15 mil utentes sem médico de família e localidades em que os cuidados médicos só são prestados uma vez por mês. Centros de saúde e extensões de saúde degradadas; apenas um médico cardiologista para 100 mil utentes; 300 dias de espera na consulta de Oftalmologia; camas encerradas no HLA por falta de enfermeiros, são, entre muitos outros, obstáculos encontrados pelos utentes do Litoral Alentejano.
Na Pontinha, junto à USF Novo Mirante, foi colocada uma serigrafia reivindicativa, exigindo mais médicos de família, enfermeiros e pessoal administrativo para aquela unidade de saúde.
Em Gaia os utentes reclamaram a reabertura dos Serviço de Atendimento em Situações de Urgência (SASU) dos Carvalhos e Soares dos Reis, encerrados em 2018, e em São Bartolomeu de Messines, Silves, a contratação de mais médicos e restante pessoal, a diminuição do tempo de espera e o alargamento do horário da extensão de saúde.
Neste dia foi ainda lançado um abaixo-assinado «Por melhores cuidados de saúde», promovido pelos utentes do concelho de Abrantes e do Médio Tejo.
Para Aveiro foi anunciada uma concentração – já depois do fecho desta ediçãodo jornal – em frente ao Hospital Infante D. Pedro. Neste distrito com mais de 30 mil utentes sem médico de família, há, por exemplo, dificuldades na marcação de exames auxiliares de diagnóstico em clínicas convencionadas.
Hoje, 21, em Évora realiza-se uma acção, às 10h00, no Jardim do Paraíso, frente à Administração Regional de Saúde do Alentejo.
Medidas urgentes
Em nota divulgada na segunda-feira, 18, o MUSP reclama do Governo a criação de condições para a fixação dos profissionais existentes, a contratação de novos e até o regresso de muitos dos que, insatisfeitos com as suas condições de trabalho, abandonaram o SNS. Garantir a toda a população um médico e um enfermeiro de família; pôr fim ao tratamento diferenciado dos utentes nos cuidados primários de saúde; aumentar o investimento em novos edifícios, a correcta manutenção dos existentes e o seu apetrechamento com equipamentos que permitam responder crescentemente às necessidades de saúde e possam acolher internos para terminarem a sua formação e criarem laços efectivos com as populações, são outras reivindicações.
Imprescindível é, igualmente, resolver o problema do acesso à urgência sem novos encerramentos e garantindo a toda a população uma resposta para situações de doença que não precisem de cuidados hospitalares; dar autonomia às unidades de saúde de forma a resolver mais rapidamente os problemas correntes, incluindo na contratação de profissionais, fomentando a participação dos utentes e das suas associações no acompanhamento da gestão; melhorar a organização administrativa das unidades de saúde aumentando a organização e a coerência e facilitando o atendimento por diversos meios, privilegiando o presencial.