Passar do «ir lá» ao «estar lá»

«Fui uma das muitas pessoas que votou no PS em Janeiro, convencida de que falavam a verdade quando diziam que iam aumentar os salários. Confesso que estou arrependida e, se fosse hoje, o meu voto não seria certamente o mesmo. Hoje faço parte deste grande Partido e disso é que não me arrependo!» Foi com estas palavras que Marisa encerrou a sua intervenção na XI Assembleia da Organização Regional de Santarém do PCP.

A operária fabril foi, com o seu testemunho, dar a cara por aqueles que decidem contribuir para a luta dos explorados contra os exploradores, militando no PCP. Na multinacional onde vende a sua força de trabalho, já identificava a injustiça da exploração, traduzida nos sistemas de segurança das máquinas desactivados, nas saídas de emergência bloqueadas e noutros elementos que pautam más condições de trabalho; nas ameaças para fazer trabalho suplementar e nos obstáculos para gozar férias; no despedimento de trabalhadores que depois são contratados via empresas de aluguer de mão-de-obra; na ausência de valorização profissional e evolução dos rendimentos auferidos.

Foi contudo ao sentir-se enganada pelas falsas promessas eleitorais e após o início de um processo de sindicalização, promovido pelo sindicato de classe, no qual foi precursora, que Marisa chegou ao Partido. E este até ela, já que, confessou também, se «não me tivessem convidado para uma conversa, provavelmente não teria tomado a iniciativa».

O caso de Marisa não é único e muito menos original. O medo, a crença na ideologia e nos falsos propósitos dos dominantes, incutida por estes e pelos seus serventuários e acólitos, são obstáculos a que muitos, muitos mais explorados tomem consciência da sua condição e papel social. É por isso que muitos destes precisam experimentar a dureza das carências materiais, das necessidades mal-satisfeitas ou não satisfeitas de todo, integrar a luta organizada e, nesta, encontrar a vanguarda que os comunistas constituem, para assimilar a urgência da transformação social, da superação revolucionária do actual modo de produção e do sistema iníquo e irracional que sobre ele assenta.

Outra verdade que a vida e intervenção do Partido tem comprovado, e da qual, de resto, decorrem orientações de trabalho permanentemente reafirmadas, porque são válidas, é que, para o combate de classe e para os trabalhadores, melhor do que o PCP ir a uma empresa ou local , é o PCP «estar lá». E isso Marisa, que integra o grande colectivo partidário desde Abril, também já percebeu. Por isso, relatou que, «depois de aderir ao Partido» percebeu que «há mais comunistas entre nós», firmando o compromisso de, em breve, «trazer mais gente» e «formar uma célula».

Júlio tem um percurso diferente. Neto de um preso político durante o fascismo, filho de uma militante comunista, este artista visual de profissão e licenciado em Filosofia, conhece a teoria e a prática comunistas desde tenra idade. Foi porém o envolvimento no trabalho colectivo com objectivos concretos que o impulsionou a aderir ao PCP, o que, note-se, é outro caminho recorrente que deve servir de exemplo no esforço de recrutamento para o Partido em curso.

No caso de Júlio, a mola foi a sua participação directa na intervenção local de âmbito autárquico e na área da cultura, em Torres Novas, onde vive e trabalha e, garante, os princípios fundamentais do Partido e a determinação dos comunistas estão bem presentes.



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