Celebrar cem anos de Saramago nas páginas da obra de uma vida

Pegar na vasta e densa obra de José Saramago, nos valores que comporta e se projectam no futuro, e aproveitá-la como mote para debates e percursos – tem sido essa a fórmula com a qual as organizações do Partido promovem iniciativas para assinalar o centenário do escritor e militante comunista.

O escritor universal, intelectual de Abril e militante comunista são indissociáveis

Em Lisboa, domingo, dezena e meia de pessoas percorreram, com a professora universitária e investigadora Isabel Araújo Branco, o centro histórico alfacinha, nos passos de obras como «Levantado do Chão», «Memorial do Convento», «O Ano da Morte de Ricardo Reis» e «História do cerco de Lisboa».

Pelo caminho, entre a Praça Luís de Camões e Alfama, passando pelo Chiado, Carmo, Rossio e Aljube, foram sendo lidos excertos dos livros alusivos aos locais identificados.

«O Ano da Morte de Ricardo Reis» foi, igualmente, o mote para duas iniciativas promovidas pela Juventude Comunista Portuguesa, dias 15 e 18 de Junho, em Almada e no Palácio Galveias, em Lisboa. Na Academia Almadense, e, depois, na biblioteca onde o português Prémio Nobel da literatura passou anos a estudar, foi exibido o filme-documentário «Não basta contemplar o mundo», de João Lopes, realizado em parceria com a Fundação José Saramago, e que serviu para abrir um debate intitulado «Sábio é aquele que transforma o mundo», em que intervieram João Carvalho, do Executivo da Comissão Regional de Lisboa da JCP, e Isabel Araújo Branco.

Ainda no Palácio Galveias, dia 22, o centenário do nascimento de José Saramago foi assinalado pela Organização Regional de Lisboa do PCP com um debate em torno da «História do cerco de Lisboa». Numa sessão com casa cheia, ficou a cargo do escritor Modesto Navarro e do professor João Luís Lisboa a apresentação da obra e o lançamento de debate.

Na Universidade da Madeira, sexta-feira, 24, os «Cadernos de Lanzarote» permitiram abordar as inquietações, encontros e desencontros, questionamentos e posicionamentos sobre a vida e as contradições da história plasmados por José Saramago nos seus diários. A docente daquela instituição Teresa Nascimento e o membro do Comité Central do PCP Edgar Silva intervieram na iniciativa, tendo o dirigente comunista realçado várias razões para celebrar o escritor e militante comunista.

Designadamente o facto de se tratar de «um dos mais destacados intelectuais do Portugal de Abril» com um «papel na luta contra o fascismo, em defesa de Abril», o «expoente da nossa cultura», «grande criador» e «cultor da língua portuguesa», o «invulgar narrador da condição humana» sempre comprometido «com e o povo» e o seu Partido de sempre salientou igualmente o escritor corajoso, desassossegado, coerente com os seus princípios libertadores, iconoclasta dos mitos e representações do poder e da religião», «sempre contundente na hora de se manifestar contra as misérias políticas deste nosso mundo», o «escritor e a energia militante da sua obra, sem qualquer receio dos incómodos que a sua palavra crua poderia causar aos defensores de um mundo imutável, erguido sobre desigualdades e enriquecido pela exploração do homem pelo homem».

Antes, a dia 21, justamente na Biblioteca José Saramago, em Beja, o destaque da iniciativa realizada em torno da obra «Jangada de Pedra» e da vida do escritor universal, intelectual de Abril e militante comunista, foi precisamente para o carácter indissociável destas três dimensões em José Saramago.

Antes do debate, com uma plateia de cerca de 60 pessoas, interveio João Ferreira, membro da Comissão Política do PCP, que, entre outros aspectos, sublinhou que no livro são suscitadas questões envolvendo a soberania nacional, o direito dos povos à autodeterminação e o empobrecimento das massas trabalhadoras.



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