Eleições presidenciais na Colômbia no domingo
O futuro da Colômbia começou a definir-se no início desta semana quando os cidadãos residentes no estrangeiro iniciaram a votação para as eleições presidenciais, que podem abrir caminho a transformações históricas no país sul-americano.
Um total de 972.764 de colombianos estão inscritos para votar no estrangeiro, em 67 consulados, tendo em vista a eleição da nova presidência da República da Colômbia.
No país, a votação decorre no próximo domingo, 29, sendo amplamente favorito, segundo as sondagens publicadas, o senador da Colômbia Humana e líder do Pacto Histórico, Gustavo Petro.
Estas eleições colombianas têm lugar num cenário ainda marcado pelas mobilizações populares anti-governamentais de 2021, protagonizadas por milhões de colombianos. A crise económica e social, considerada a maior dos últimos 70 anos, ocorreu no meio da pandemia de COVID-19, com todas as suas nefastas consequências.
Para enfrentar os manifestantes, as autoridades do país levaram a cabo uma repressão policial brutal, com cerca de uma centena de mortes, além de feridos, presos, torturados, desaparecidos, facto documentado por organizações defensoras dos direitos humanos como o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz, entre outras. A este panorama somam-se os massacres e assassinatos de líderes sociais e de ex-guerrilheiros reincorporados na vida civil, o que põe em risco o cumprimento do Acordo de Paz.
Uma vitória expressiva
Iván Cepeda, senador do Pólo Democrático Alternativo e reeleito pelo Pacto Histórico, coligação integrada por diversos sectores sociais e políticos, declarou que espera uma vitória expressiva. À Prensa Latina disse que é necessário mobilizar os eleitores para irem às urnas, no próximo domingo, desde cedo, e «vigiar cada voto para que possamos triunfar na primeira volta».
Seis candidatos mantêm-se na corrida eleitoral e Gustavo Petro – que se apresenta com Francia Márquez como candidata à vice-presidência – consolida a sua vantagem, de acordo com os estudos de opinião. Por isso, os sectores alternativos, de esquerda e progressistas em geral consideram que estão a um passo de, pela primeira vez, chegar ao governo da Colômbia.
Mais de 39 milhões de colombianos estão inscritos para votar no domingo, visando escolher o presidente e a vice-presidente do país, para o período de 2022-2026. Se nenhum candidato obtiver, pelo menos, metade mais um do total de votos válidos, haverá uma segunda volta, a 19 de Junho.
Justas apreensões
Entretanto, o candidato do Pacto Histórico, Gustavo Petro, alertou para a possibilidade de um «golpe eleitoral» visando suspender as eleições e os órgãos que dirigem o processo eleitoral na Colômbia.
Segundo Gustavo Petro, há sectores interessados em que estale a violência na Colômbia para justificar a continuação em funções do actual governo, mesmo contra a decisão popular.