A esperança tem Partido
Natural da Guarda, com raízes familiares em Mértola, Aniceto trabalha numa cadeia de comida rápida no Barreiro. Foi a alternativa que encontrou para se manter na Área Metropolitana de Lisboa, onde se concentra o trabalho na sua área de formação: cinema e televisão. Pretende, de resto, fazer carreira como guionista e foi esse desejo que o trouxe à região, mas com a epidemia, estreitaram-se sumamente as possibilidades de o começar a cumprir logo após a conclusão do mestrado. Agarrou-se ao que havia.
O interesse na vida política nacional e internacional não brotou agora. O apreço pelo PCP também não. O pai sempre lhe falou da importância do Partido, designadamente no Alentejo durante a resistência ao fascismo e depois na Revolução de Abril. Aniceto cresceu e a atenção à intervenção, propostas e projecto comunistas, tornou-se autónoma. Foi acompanhando, lendo.
O regresso ao trabalho na restauração voltou a confrontá-lo com a sobre-exploração que reina no sector. O Partido, que sempre sentiu como sendo o seu, ficou praticamente sozinho a remar contra a «inevitabilidade» da supressão de direitos, contra a ofensiva anti-laboral do patronato à boleia do surto epidémico. Aniceto reforçou convicções.
O impulso para finalmente se inscrever como militante do PCP ocorreu no dia das últimas eleições legislativas. «Percebi que viria um período difícil e decidi ajudar», relata. Aos 27 anos, é o que está a fazer. Milita no sector de empresas e o contributo que dá à organização comunista concentra-se, neste momento, em contactar todos os camaradas que, como ele, vendem a sua força de trabalho no comércio e serviços. Está entusiasmado, manifesta-se realizado com o desempenho da tarefa e com a acumulação de experiência no «guião» da luta em que deposita tantas esperanças de futuro.
Construir o futuro com esperança é o que também está a fazer Reboucho. Aos 21 anos, este estudante de artes e humanidades, filho de um operário fabril e activista sindical que dedicou tempo à promoção da cultura na freguesia de Vialonga, segue alguns dos passos paternos.
Reboucho considera que a sua entrada nas fileiras comunistas é «a evolução natural» de quem conviveu sempre paredes meias com o PCP, a luta da classe operária e dos trabalhadores, os seus anseios e capacidade de realização e superação; de quem viu sempre o PCP na primeira linha da defesa daqueles – na fábrica, nas ruas, na Junta de Freguesia.
Uma vez inscrito no Partido, organizou-se justamente em Vialonga. Conforta-o e dá-lhe ânimo que os camaradas com quem tanto diz ter a aprender, o reconheçam e tratem de igual para igual, apesar de menos vivido na luta de classes.
Procura trazer outros jovens como ele à militância comunista e nisso concentra os seus esforços. Na forja, a par da ajuda na requalificação do Centro de Trabalho, está a sua dinamização, particularmente com os mais jovens. Brevemente iremos igualmente ouvir falar de uma iniciativa que pretende celebrar o Partido, a sua história e alguns militantes cujos nomes estão inscritos na toponímia de Vialonga. É que como Reboucho nos desvendou, «a Vila tem Partido».