Assumir tarefas é cumprir militância
Gonçalo é responsável por uma organização de freguesia num populoso concelho da Área Metropolitana de Lisboa. Não é, no entanto, a primeira vez que, enquanto quadro comunista, assume uma tarefa com algum grau de complexidade. Assim que se inscreveu na Juventude Comunista Portuguesa, dedicou-se a acompanhar os colectivos de jovens em quatro concelhos do distrito de Lisboa. A experiência adquirida, admite, é hoje valiosa para cumprir com sucesso uma responsabilidade que considera mais abrangente.
«A JCP já nos prepara para este trabalho», insiste Gonçalo, confirmando que um dos aspectos que tem sido sublinhado no âmbito do reforço do PCP – a responsabilização de quadros, a atribuição de uma tarefa aos novos militantes como elemento central na concepção de militância, está, no fundamental, a ser assimilada e colocada em prática.
Naturalmente que, para Gonçalo, é igualmente uma preciosa ajuda o facto de «as dificuldades serem resolvidas colectivamente, e não individualmente», de «haver sempre camaradas dispostos a ajudar», provando que «este não é o Partido de um homem só». Mas neste particular o jovem militante do PCP não se surpreendeu, pois desde pequeno que conhece a grande casa da fraternidade, quer ela se expresse na Festa do Avante!, à qual Gonçalo não falta desde bebé, quer na luta, nas empresas e na rua, quer ainda nas tarefas mais regulares. Confessa contudo algum arrependimento por não ter decido militar mais cedo. «Pensava que não tinha tempo, que não era possível conjugar os estudos com a militância como eu achava que ela deve ser. Mas isso não é verdade. Damos o que podemos, não estamos sozinhos e assim o tempo disponível não é um obstáculo tão grande», conclui.
Diogo também aderiu recentemente ao PCP. As dificuldades que as famílias enfrentaram em resultado da ofensiva anti-laboral que o capital encetou à boleia da pandemia, levaram-no a procurar as propostas comunistas para mitigar a situação. «Percebi que eram justas mas que não estavam a ser acolhidas e concretizadas por quem o podia fazer: o Governo. Resolvi contribuir para que o fossem».
Os primeiros passos da militância de Diogo foram feitos na JCP, mas rapidamente se envolveu nas tarefas da Organização Concelhia de Famalicão do PCP, onde actualmente ajuda numa tarefa que tem tanto de desafiante e estimulante quanto de rigorosa e rotineira: os fundos.
Também Diogo destaca a camaradagem e a disponibilidade dos camaradas para o ajudarem a superar dificuldades. O facto não surpreendeu este estudante de Filosofia desde sempre apaixonado por arte e literatura, e que, por via dessa paixão, se foi aproximando do ideal comunista que assumiram igualmente muitos dos artistas e escritores que admira. A surpresa veio na Festa do Avante!, o ano passado, onde esteve pela primeira vez e constatou que os comunistas são mesmo fraternos em todos os momentos, mesmo não se conhecendo, dando sentido profundo à palavra camarada. «Que os camaradas que me conhecem de Famalicão me tratem de igual para igual, para mim já era normal. Que o fizessem mesmo os camaradas que não me conheciam de lado nenhum, isso foi indescritível», afirma.