Respostas vagas e militarização: prossegue a escalada contra a Rússia
Os EUA e a NATO não estão disponíveis para ir ao encontro do essencial das propostas apresentadas pela Rússia visando a diminuição da tensão e a segurança na Europa. É o que se conclui do teor das cartas enviadas por EUA e NATO à Rússia, divulgadas no dia 2 por um jornal espanhol, cuja autenticidade foi já confirmada pelo Departamento de Estado norte-americano.
Entre propostas vagas de «controlo armamentista» e autorizações para que a Rússia inspecione certas instalações militares na Europa, EUA e NATO reafirmam a possibilidade do alargamento da NATO, bloco político-militar agressivo. Apelam à renovação de «laços diplomáticos» e à «renegociação de tratados» de controlo de armas nucleares – muito embora tenham sido os EUA a abandonar unilateralmente vários destes tratados – e rejeitam a possibilidade de um qualquer recuo da NATO.
Desde Dezembro que a Rússia reclama garantias de segurança na Europa, «fiáveis e de longo prazo», com carácter jurídico, já que, como na ocasião recordou o presidente russo, as potências ocidentais não cumpriram anteriores compromissos e alargaram a NATO até junto às fronteiras da Federação Russa. Travar novos alargamentos da NATO para Leste e impedir a instalação de mais sistemas de armamento dos EUA e da NATO capazes de atingir o seu país são objectivos imediatos da Rússia, que defende também o recuo daquele bloco político-militar.
Mas mais do que as cartas – cuja fuga para imprensa pode nem ter sido acidental, mas antes ter servido fins meramente propagandísticos –, são as acções a falar por si: os EUA anunciaram o envio de mais 3000 militares para países vizinhos da Ucrânia (mil chegaram já à Roménia), colocaram 8500 efectivos em alerta máximo e mobilizaram meios militares robustos para a região. Entretanto, prossegue a retórica agressiva, com Joe Biden e outros responsáveis políticos de países membros da NATO, como o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, a ameaçar com sanções «nunca vistas» em caso de invasão da Ucrânia – intenção que as autoridades russas por mais de uma vez negaram.
Particularmente reveladoras foram as referências de Biden ao projecto Nord Stream 2, envolvendo o gás natural russo, que há muito os norte-americanos pretendem fazer abortar.
Prosseguem, entretanto, esforços diplomáticos por parte da França, mas também da Alemanha, para fazer baixar as tensões em torno da situação na Ucrânia. Nos últimos dias, o novo chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, encontrou-se com Joe Biden, na Casa Branca, e o presidente francês, Emmanuel Macron manteve conversações com os presidentes Vladimir Putin, em Moscovo, e Volodímir Zelensky, em Kiev.