PAIGC denuncia manobras para impedir o seu Congresso
Na Guiné-Bissau, o PAIGC exigiu uma investigação aos acontecimentos do dia 1 de Fevereiro, na capital. Entretanto, a Cedeao decidiu enviar para o país uma força de «apoio à estabilização».
PAIGC pede inquérito aos acontecimentos de 1 de Fevereiro
O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) denunciou em Bissau a «construção de cenários» para transferir para o partido a responsabilidade dos incidentes ocorridos no passado dia 1 e impedir a realização do seu congresso.
A Comissão Permanente do PAIGC revela em comunicado que recolheu «informações e evidências» da «construção de cenários que permitem transferir para o partido e a sua liderança todas as responsabilidades», ao mesmo tempo que comprometem grandemente a realização do congresso partidário. A direcção do PAIGC confirma que a data da reunião magna se mantém inalterada – de 17 e 20 deste mês.
O PAIGC refere «reuniões clandestinas» promovidas pelo presidente guineense, Sissoco Embaló, e «tentativas de implementar novas evidências» que tentam associar elementos do PAIGC aos acontecimentos ocorridos em Bissau, no começo deste mês, e descritos pelo presidente e seus apoiantes como «tentativa de golpe de Estado».
O presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, já tinha condenado, logo no dia seguinte ao ataque, toda e qualquer tentativa de subversão da ordem constitucional por vias não democráticas. Pediu a criação de uma comissão internacional de inquérito para apurar responsabilidades. Considerou «simplista e circunstancial» a explicação até agora fornecida pelas autoridades. E insistiu que «o assunto é muito grave e exige que haja realmente uma investigação pormenorizada».
Homens armados atacaram no dia 1 o palácio do governo da Guiné-Bissau, onde decorria um conselho de ministros com a presença do presidente da República e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam. A acção terá causado pelo menos oito mortos. Embaló afirmou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado que poderá estar ligada a «gente relacionada com o tráfico de droga», mas não deu pormenores.
As forças armadas guineenses levam a cabo, entretanto, uma operação para «recolha de mais indícios» sobre o ataque, que foi condenado a nível internacional.
Na sequência dos acontecimentos, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) anunciou o envio de uma força militar e policial de apoio à estabilização do país. Segundo o PAIGC, sem a «prévia e devida auscultação» do parlamento do país.
União Africana
elegeu novo presidente
Sob o lema «Reforçar a resiliência na nutrição e segurança alimentar no continente africano: reforço dos sistemas agro-alimentares, de saúde e de protecção social para a aceleração do desenvolvimento humano, social e económico», decorreu nos dias 5 e 6, em Adis Abeba, a 35.ª cimeira da União Africana (UA).
Reunida presencialmente pela primeira vez em dois anos, devido à pandemia de COVID-19, a cimeira assinalou o 20.º aniversário da UA, a celebrar em Julho. E testemunhou a mudança da sua presidência rotativa: o presidente Macky Sall, do Senegal, substituiu o presidente congolês Felix Tshisekedi, que dirigiu a organização em 2021.
Adiada foi a discussão sobre a atribuição do estatuto de observador concedido pela UA a Israel. Entre outros países, Argélia, Nigéria e África do Sul não aceitam a manutenção de tal estatuto, tendo em conta os crimes de Israel contra a Palestina e o seu povo.
A Cimeira da UA condenou o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba, há mais de 60 anos. Os dirigentes africanos exigem a eliminação dessa política, que qualificam de hostil e violadora dos direitos humanos.