Desigualdades que matam

Manuel Rodrigues

A Oxfam divulgou recentemente (16 de Janeiro deste ano) o relatório «a desigualdade mata», que refere que os dez mais ricos do mundo duplicaram as suas fortunas durante dois anos de pandemia, passando de 700 mil milhões de dólares para 1,5 biliões. Ou seja, de uma penada, as «pobres criaturas» viram as suas fortunas aumentar à razão de 15 mil dólares por segundo ou o equivalente a 1,3 mil milhões por dia, enquanto o rendimento de 99 por cento da humanidade, segundo o mesmo relatório, caía e mais de 160 milhões de pessoas eram empurradas para a situação de pobreza.

Por outras palavras, a fortuna destes dez bilionários soma hoje seis vezes mais riqueza do que os 3,1 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo (quase metade da população mundial).

São, de facto, desigualdades que matam e entre os factores que mais pesam como causa da morte de 21 mil pessoas por dia, como aponta o relatório, estão a falta de acesso a cuidados de saúde e a fome.

Ora, também em Portugal, as grandes fortunas tiveram neste período aumentos colossais que resultaram do agravamento da exploração, traduzida nos baixos salários, desregulação dos horários de trabalho, precariedade e desemprego. E, enquanto essa exploração se aprofundava, em 2020, os grupos económicos distribuíam mais de 7 mil milhões de euros em dividendos aos seus accionistas e, em 2021, o património das famílias mais ricas crescia 3,5 mil milhões de euros, só em ganhos bolsistas.

E depois, sempre que se fala na necessidade do aumento geral dos salários como emergência nacional, como reivindicam os trabalhadores e defende e propõe o PCP e a CDU, lá vem o governo, o grande patronato e os partidos que lhe defendem os interesses de classe com o velho jargão de que o dinheiro não chega para tudo, de que se está a querer arruinar a economia.

Dizem eles que o dinheiro não chega para o aumento dos salários. Mas sobra para engordar as fabulosas fortunas dos senhores do grande capital.

É preciso pôr fim às causas de tão gigantescas desigualdades sociais. E, para isso, a luta é o caminho a seguir. E o voto na CDU é parte indissociável dessa luta.



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