As eleições e o futuro

Francisco Lopes (Membro da Comissão Política e do Secretariado)

Es­tamos a pouco mais de uma se­mana das elei­ções le­gis­la­tivas de 30 de Ja­neiro. No quadro po­lí­tico e ins­ti­tu­ci­onal que re­sultar das elei­ções, vai co­locar-se o rumo para o País. Muito mais de­ter­mi­nará esse rumo, desde logo a luta dos tra­ba­lha­dores e das massas po­pu­lares com o seu papel de­ter­mi­nante, mas os re­sul­tados das elei­ções e a re­lação de forças ins­ti­tu­ci­onal que delas vai de­correr tem par­ti­cular im­por­tância.

O voto da CDU é o voto que de­cide das so­lu­ções para o País

À me­dida que o tempo passa fica mais claro que o PS con­viveu mal com a con­ver­gência dos úl­timos anos para pro­mover avanços, re­sistiu, li­mitou e travou me­didas e pro­curou fugir desse ca­minho.

O PS fez tudo para que a Pro­posta de Or­ça­mento de Es­tado para 2022 não fosse apro­vada, a al­ter­na­tiva que co­locou era a chan­tagem: ou dei­xavam passar e vi­a­bi­li­zavam, no or­ça­mento e além dele, o que queria - que não res­pondia e agra­vava os pro­blemas na­ci­o­nais - , ou pre­ci­pi­tava a re­a­li­zação de elei­ções.

O PS e o Pre­si­dente da Re­pú­blica de­sen­ca­de­aram a an­te­ci­pação das elei­ções. Essa ba­talha po­lí­tica está em curso.

Os cen­tros do grande ca­pital apostam si­mul­ta­ne­a­mente na mai­oria ab­so­luta do PS, no en­ten­di­mento entre o PS e o PSD, in­de­pen­den­te­mente de quem seja go­verno, e na pro­moção das forças re­ac­ci­o­ná­rias como ins­tru­mentos ime­di­atos e como carta para me­lhor uti­li­zação a prazo.

Olhando o fu­turo pró­ximo as op­ções do PS vão tornar a si­tu­ação mais exi­gente. O PS não ten­tará apenas blo­quear so­lu­ções, em vá­rias di­men­sões há o risco de pro­mover re­tro­cessos. O PS ten­tará apro­veitar o seu re­sul­tado, para vei­cular as suas op­ções de classe, sempre pre­sentes, mas con­di­ci­o­nadas nos úl­timos anos. Os si­nais disso estão já à vista no­me­a­da­mente com os di­reitos dos tra­ba­lha­dores, a ma­nu­tenção das normas gra­vosas da le­gis­lação la­boral, o blo­que­a­mento do au­mento dos sa­lá­rios quando o poder de compra está a ser cor­roído pela in­flação, a ló­gica das pri­va­ti­za­ções com o anúncio da pri­va­ti­zação de 50% da TAP, a ca­na­li­zação de mi­lhares de mi­lhões de euros do erário pú­blico para os grupos eco­nó­micos.

A sua opção pela mai­oria ab­so­luta ou por go­vernar lei a lei com o PSD como fez no final dos anos 90 está agora cla­ra­mente afir­mada. Mas para além dos pro­pó­sitos do PS serão as cir­cuns­tân­cias, os re­sul­tados elei­to­rais e a luta dos tra­ba­lha­dores e do povo a de­ter­minar.

O voto que de­cide

Os tempos que se se­guirão às elei­ções vão ser tempos de exi­gente in­ter­venção po­lí­tica, de luta e da sua in­ten­si­fi­cação e vão ser tempos em que o re­sul­tado da CDU, o nú­mero de de­pu­tados do PCP e do PEV, pe­sará como um ele­mento muito sig­ni­fi­ca­tivo.

A CDU é a força de­ci­siva, em todos os planos, em cada mo­mento, com o seu com­pro­misso com os tra­ba­lha­dores e o povo. Re­sis­tindo, to­mando a ini­ci­a­tiva com co­ragem e au­dácia: não des­per­di­çando pos­si­bi­li­dades como acon­teceu em 2015; tra­vando me­didas ne­ga­tivas, de­fen­dendo, re­pondo e con­quis­tando di­reitos; não de­ser­tando da in­ter­venção e do apoio aos tra­ba­lha­dores e às po­pu­la­ções quando foi pre­ciso du­rante a epi­demia; não ce­dendo à chan­tagem em torno da pro­posta do or­ça­mento para 2022, re­cu­sando a fuga à res­posta aos pro­blemas, a es­tag­nação e afun­da­mento do País, o apro­fun­da­mento das in­jus­tiças e de­si­gual­dades; não te­mendo e com­ba­tendo a di­reita e a ex­trema di­reita; exi­gindo o cum­pri­mento dos di­reitos ins­critos na Cons­ti­tuição.

A CDU é a força com que os tra­ba­lha­dores e o povo, os de­mo­cratas e pa­tri­otas sempre podem contar, a força de luta, de con­ver­gência, de cons­trução e avanço.

O voto na CDU é o voto de com­bate às forças re­ac­ci­o­ná­rias, que trava o re­gresso ao poder do PSD, do CDS com os seus su­ce­dâ­neos, di­fi­culta os en­ten­di­mentos entre o PS e o PSD e con­tribui para im­pedir mai­o­rias ab­so­lutas.

O voto da CDU é o voto que de­cide das so­lu­ções para o País, que pro­move a rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e a con­cre­ti­zação da al­ter­na­tiva que Por­tugal pre­cisa, pa­trió­tica e de es­querda, vin­cu­lada aos va­lores de Abril, para um País mais de­sen­vol­vido e uma so­ci­e­dade mais justa.




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