Pezinho e creche

Margarida Botelho

Foi anunciado na semana passada o número de testes do pezinho realizados nos primeiros dez meses do ano: 65637, menos 6 mil do que no ano passado. A não ser invertida esta tendência, 2021 poderá bater novo recorde do menor número de nascimentos desde que há registo.

Os demógrafos já tinham alertado que os efeitos da epidemia de COVD-19 poderiam ter este reflexo: por um lado, a maior dificuldade de acesso a cuidados de saúde nos últimos dois anos pode ter levado muitas mulheres a adiar a gravidez, por receio de pior acompanhamento. Por outro, o receio quanto ao futuro, mas sobretudo a insegurança laboral e económica que atinge os trabalhadores em idade fértil pode levar muitos a adiar o plano de vir a ter filhos.

A situação, como o PCP tem afirmado, é grave. O país tem um défice demográfico, que os números dos dois últimos anos agravam.

Ter ou não ter filhos é uma decisão pessoal, em que pesam múltiplos factores. Todos os estudos mostram que a maioria das pessoas em idade fértil gostaria de ter mais filhos do que efectivamente tem. Dar-lhes condições e segurança para tomarem essa decisão em liberdade é da mais elementar justiça para que cada um possa ter um percurso de vida feliz, mas também é crucial para o desenvolvimento do País.

Tem por isso grande importância a aprovação pela Assembleia da República do projecto-lei do PCP que garante a gratuitidade a todos os bebés que entrem na creche em Setembro. São medidas como esta, que dão estabilidade e segurança às famílias no momento de decidir ter filhos, que são necessárias. Por aprovar ficou a criação de 100 mil vagas em creches públicas, para garantir que todos os bebés têm vaga garantida.

É uma resposta indispensável que só a determinação do PCP tem feito avançar, ainda que de forma mais lenta do que o necessário. Nas eleições legislativas de 30 de Janeiro, também está nas mãos de cada eleitor dar mais força à criação de uma rede pública de creches gratuitas, elegendo mais deputados da CDU.




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