Nova reforma da PAC é contrária aos interesses dos agricultores

Na sessão plenária do Parlamento Europeu (PE) de 23 de Novembro, em Estrasburgo, os deputados do PCP votaram contra mais uma reforma da Política Agrícola Comum (PAC), para vigorar entre 2023-2027.

«Mais abandono, mais desertificação, menos mundo rural»

Os deputados comunistas votaram contra os documentos da reforma da PAC, por esta ser «contrária aos interesses da agricultura e dos agricultores portugueses». Consideram ainda que esta reforma «não vai dar resposta às graves dificuldades que a grande maioria dos agricultores atravessam, perspectivando-se, pelo contrário, mais abandono, mais desertificação, menos mundo rural».

Para a aprovação desta PAC contribuíram os votos a favor dos deputados portugueses do PS, PSD e CDS, os mesmos que aprovaram todas as reformas anteriores e que são co-responsáveis pela situação em que se encontra a agricultura nacional.

Em comunicado, os deputados comunistas, João Pimenta Lopes e Sandra Pereira, sustentam que a defesa da agricultura nacional e de princípios como o da soberania alimentar «só será possível com novas políticas», que regulem os mercados, designadamente no leite e na vinha; assegurem o apoio preferencial aos pequenos e médios agricultores, com modulação e plafonamento das ajudas; promovam o escoamento da produção e o consumo de alimentos produzidos o mais localmente possível; valorizem os sistemas de produção mais sustentáveis.

CNA
No dia da votação, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) promoveu o webinar «PEPAC: As opções nacionais», onde foi apresentado o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPCAP) 2023-2027. Esta iniciativa – moderada por Pedro Santos, da CNA – contou com a intervenção de Eduardo Diniz, director do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral, (GPP) e Laura Tarrafa, da CNA.

 

Consequências da PAC em Portugal

# Redução da superfície agrícola útil;
# Destruição de mais de 400 mil explorações agrícolas;
# Perda de 700 mil empregos;
# Aumento da dependência alimentar e agravamento da balança comercial agro-alimentar

 

Propostas do PCP

No debate sob a PAC, os deputados do PCP no PE propuseram um conjunto de alterações para salvaguardar aspectos fundamentais, tendo em conta a realidade da agricultura do País. Defenderam, assim, o direito à soberania e à segurança alimentares dos diferentes países, o seu direito a produzir, a regulação dos mercados, uma justa distribuição das ajudas da PAC, não só entre os Estados-Membros (EM), mas também entre produções e agricultores.

A adopção de formas de intervenção na cadeia de abastecimento, em caso de graves desequilíbrios, como a fixação de margens máximas de intermediação, de forma a promover uma justa e adequada distribuição do valor acrescentado ao longo da cadeia de abastecimento alimentar, foi uma dessas propostas.

João Pimenta Lopes e Sandra Pereira defenderam, igualmente, «o princípio da preferência nacional, utilizando, por exemplo, um sistema de quotas de produção nacional, passando as importações a ter um carácter supletivo da produção nacional», recomendaram «a criação de um Seguro Agrícola Público, financiado pelo orçamento da União Europeia, a mobilizar em caso de fenómenos meteorológicos extremos (cada vez mais frequentes) ou situações de catástrofe, conferindo um nível de protecção adequado a todos os agricultores» e propuseram, de forma a contrariar a desertificação humana do mundo rural, «a defesa da pequena e média agricultura e da agricultura familiar, por estarem normalmente associadas a modelos de produção de qualidade e sustentável, capaz de assegurar a coesão social e territorial».

 

 

 



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