Manipulações

Na sua edição do passado dia 13, o semanário Expresso puxou para manchete o resultado de uma sondagem. Ou melhor, uma interpretação muito criativa dos dados que dela constavam. O título afirmava que o PCP foi prejudicado pela «crise política», ideia reafirmada no título interior: «PCP caiu». Depois olha-se para os números e não se entende de onde veio esta ideia peregrina.

Há três forças políticas cujo resultado desce: uma desce um ponto percentual; outra três pontos e, por fim, há ainda outra que desce quatro. Dirá o leitor mais atento que seguramente foi a CDU a dar o trambolhão de quatro pontos, uma queda, de facto, tremenda – para metade. Mas depois de olhar com atenção para o gráfico no fundo da página 12 lá se percebe que não, a CDU mantém o resultado (diferença de um ponto, dentro da margem de erro). Já o PSD cai três pontos, de 29% para 26%, e, a verdadeira notícia, o BE dá o verdadeiro trambolhão, de 9% para 5%.

A fiabilidade das sondagens (ou a falta dela) deveria levar a grandes cautelas nas redacções quando chega a hora de as noticiar, particularmente quando se trata de reduzir um sempre complexo jogo de números a um título. Mas nesta sondagem é claro como água que, a haver alguma notícia, é queda do BE.

«Foi engano, queriam escrever BE e saiu PCP», dirão os leitores mais piedosos. Mas não. A própria sondagem foi fabricada para dar ao Expresso algo a que se agarrar para, mais uma vez, se dedicar ao ataque ao PCP e à CDU. Como a recolha dos dados começou a ser feita antes da votação do Orçamento e acabou já depois, os responsáveis por esta autêntica obra de ficção dedicaram-se a comparar as respostas recolhidas antes com as respostas recolhidas depois de o Orçamento ter sido recusado na Assembleia da República. Não é dito quantas respostas foram recolhidas antes e depois, não se percebe se o universo é o mesmo ou estamos a falar de respostas de pessoas diferentes, não se sabe que resultado cada força tinha antes e depois. Enfim, não sabemos nada, só que o Expresso «descobriu» que o PCP caiu. Mais rigorosamente, o Expresso fabricou a conclusão a que queria chegar.

Mas nem aqui acaba o problema. É que vamos olhar para o gráfico que espelha estas supostas variações nas intenções de voto e nem sequer é a CDU quem supostamente mais perdeu com a votação do Orçamento, mas o PSD.

Sabemos há muito que as sondagens não são mais do que instrumentos de manipulação de massas. Para quem ainda tinha dúvidas, este exemplo, com o que contém de grotesco e pela virtude de nem sequer se esforçar muito para parecer sério, seguramente ajudará a esclarecê-las.



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