Trabalhadoras do Curry Cabral unidas por direitos, rendimentos e segurança

Perante uma tentativa encapotada de despedimento colectivo, as trabalhadoras da limpeza no Hospital Curry Cabral estão dispostas a lutar pelos postos de trabalho, contra os roubos nos salários, as ameaças e chantagens e por melhores condições laborais e de higiene naquela unidade do SNS.

Se despede uma, despede todos

A situação arrasta-se desde que a Sá Limpa executa o serviço de limpeza no Hospital Curry Cabral, mas o desencadeador da revolta foi a tentativa da empresa de forçar «rescisões amigáveis». O episódio mais grave deu-se na terça-feira, 9, com o administrador a chamar as trabalhadoras mais antigas propondo-lhes «ir para o fundo de desemprego, com os dias daquele mês e o subsídio de Natal, mas sem revelar que foram despedidas», relatou Filomena, que se encontrou na quinta-feira, 11, com Tiago Dores, da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP, Clarinda Nogueira, do sector da limpeza, vigilância e segurança, e Alma Rivera, deputada do Partido na Assembleia da República.

Durante a pausa para o almoço, cerca de 40 trabalhadoras acompanharam a delegada sindical do STAD, relatando à eleita e aos dirigentes comunistas os atropelos cometidos pela Sá Limpa, quer em matéria laboral quer ao nível do serviço prestado no Curry Cabral, os quais, acrescentaram, não são alheios à administração do hospital.

Todos por um

Naquele dia 9, perante o despedimento encapotado e a tentativa de «apagar» os anos de serviço prestados para efeitos de indemnização, duas trabalhadoras desmaiaram. O choque generalizado transformou-se em unidade e mulheres, na sua maioria, mas também os homens que garantem a higiene e limpeza do Curry Cabral, decidiram confrontar o administrador, deixando-lhe claro que «se despede uma, despede todos», contaram.

Entretanto, os trabalhadores decidiram que ninguém recebe «cartas de rescisão» em mão, estando, ainda, em avaliação, a forma como vão prosseguir a luta.

A Tiago Dores, Clarinda Nogueira e Alma Rivera, as trabalhadoras denunciaram, para além da tentativa de despedimento encapotado, o desconto de 20 euros para despesas administrativas, o não pagamento do subsídio de alimentação ao sábado, o não cumprimento da legislação em matéria de férias e horários, as humilhações e tentativas de transferência ilegal para o Hospital de São José.

Também segundo as trabalhadoras, a suportar o baixo preço apresentado pela Sá Limpa para garantir as concessões, estão a não aquisição ou adulteração do material de limpeza ao ponto de este deixar de o ser; a não observação da categoria profissional de alguns funcionários; a redução para metade dos trabalhadoras na limpeza de blocos, serviços e enfermarias; a disponibilização de apenas uma farda, de segunda a sábado a trabalhadores que contactam com doentes e lixos contaminados, ou o transporte destes na mesma viatura dos materiais e equipamentos de higiene. Práticas que, sublinharam, colocam em risco funcionários clínicos e não-clínicos e doentes do Curry Cabral.

Alma Rivera tomou boa nota das denúncias e assegurou que o PCP irá questionar o Governo sobre as ilegalidades e sobre-exploração no Curry Cabral, mas igualmente acerca da irracionalidade de manter privatizado um serviço essencial, levando a um pior serviço e a que trabalhadoras com 20, 30 e 40 anos no mesmo local continuem a transitar de empresa em empresa, em vez de serem funcionárias daquela unidade do SNS.




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