Ryanair: o asterisco
Todos conhecemos a publicidade que vive do asterisco. Um carro que custa 9000 euros e um asterisco, pode custar 30 ou 40 mil euros, depende do que disser o asterisco. Quem já voou com a Ryanair sabe o uso que fazem do asterisco. Agora inauguraram o asterisco nas Notas de Imprensa (NI).
Diz a sua recente NI «Com esta ampliação, a Ryanair operará 50 rotas (mais que a TAP*)...». O que é mentira: a TAP opera 99 rotas. Mas é preciso ler a nota da Lusa para perceber que a frase já passou. Aliás, como outra que de imediato fez vários títulos: «Ryanair investe 253 milhões no Aeroporto de Lisboa». Mas é mentira.
A Ryanair não vai investir um tostão. Vai simplesmente colocar cá mais três aviões, que retirará assim que entender. A Ryanair quer crescer em Lisboa aproveitando a redução da operação da TAP imposta por Bruxelas e levada a cabo pelo Governo PS. Mas como é próprio desta multinacional, a NI está cheio de exigências, nomeadamente de mais investimentos no Aeroporto de Lisboa e do Montijo. Não deixa de ser de artista fazer uma nota a exigir que outros invistam e conseguir que o título seja que se está a investir.
A Ryanair ainda exige da Comissão Europeia que retire slots (posições garantidas de acesso à infra-estrutura) à TAP e as entregue a si, numa reivindicação alinhada com as recentes declarações da UE. E para justificar o desvio de slots da TAP para a Ryanair, lá se avançam com as promessas: mais 4000 empregos e mais 5 milhões de passageiros. Um exagero que foi amplamente divulgado, mas cujo saldo seria: saem 4000 trabalhadores da TAP, da SPDH e da ANA, e fica a promessa de postos de trabalho numa qualquer Ryanair (precários e mal pagos).
A pressa da Ryanair é compreensível. Mal conseguiu resistir a 2020 (mesmo com grande parte da força de trabalho em contratos que a isentam de lhes pagar quando não voam) apesar de alguns apoios públicos (mais de 730 milhões só do Reino Unido). Mas tem que acumular receitas e vendas de futuros bilhetes, ou pode estoirar.
O que não se compreende são os que se ajoelham as pés das multinacionais em adoração enquanto elas sugam o país e as possibilidades do seu desenvolvimento.