Os entrevistados
Um tem como profissão assessorar empresas a fugir aos impostos. Outro é casado com uma administradora de uma empresa, nomeada após a privatização realizada por um governo integrado pelo esposo. Outro acaba de ser nomeado administrador da empresa que mais beneficiou com a renegociação de contratos de concessão quando era ministro. Outro preside a uma empresa privatizada com a sua assessoria ao vendedor. São alguns dos rostos da direita que a Comunicação Social anda agora a tentar vender como os campeões da luta contra a corrupção e o compadrio... da esquerda.
Um produto que assenta em duas mistificações: que este governo é a esquerda, da esquerda ou sequer de esquerda; que há inocentes vestais a localizar no conjunto de partidos que têm protagonizado a política de direita, a reconstrução do capitalismo monopolista e a submissão nacional ao processo de concentração e centralização capitalista conduzido pela UE.
A política de direita é por definição corrupta: Ela trata da entrega ao grande capital, a um conjunto reduzido de famílias e pessoas, do essencial da propriedade nacional, dos nossos serviços públicos e da riqueza produzida pelo nosso povo. A política de direita é por definição corruptível: ela negoceia o grau de favorecimento dos diferentes conjuntos de capitalistas, gere as opções entre interesses egoístas e contraditórios e polariza a riqueza. A política de direita é necessariamente opaca: se fosse transparente, os seus executantes seriam corridos à pedrada dos seus postos no templo. A política de direita é imperiosamente falsa: ela não pode assumir os seus objectivos nem sequer a sua natureza de classe.
É por isso que a política de direita (e os políticos da política de direita) só sobrevive surfando as ondas criadas pelo conjunto dos instrumentos de dominação do grande capital. E isso também tem um preço. Que uns pagam alegremente, outros pagam contrariados e outros se recusam a pagar. Nenhum destes últimos é Ministro ou sequer ministriável. E nunca terão direito (nem necessidade) a entrevistas de 6 páginas com os «jornalistas» a fingir ignorar todos os elefantes que circulam pela sala.