Os entrevistados

Manuel Gouveia

Um tem como pro­fissão as­ses­sorar em­presas a fugir aos im­postos. Outro é ca­sado com uma ad­mi­nis­tra­dora de uma em­presa, no­meada após a pri­va­ti­zação re­a­li­zada por um go­verno in­te­grado pelo es­poso. Outro acaba de ser no­meado ad­mi­nis­trador da em­presa que mais be­ne­fi­ciou com a re­ne­go­ci­ação de con­tratos de con­cessão quando era mi­nistro. Outro pre­side a uma em­presa pri­va­ti­zada com a sua as­ses­soria ao ven­dedor. São al­guns dos rostos da di­reita que a Co­mu­ni­cação So­cial anda agora a tentar vender como os cam­peões da luta contra a cor­rupção e o com­pa­drio... da es­querda.

Um pro­duto que as­senta em duas mis­ti­fi­ca­ções: que este go­verno é a es­querda, da es­querda ou se­quer de es­querda; que há ino­centes ves­tais a lo­ca­lizar no con­junto de par­tidos que têm pro­ta­go­ni­zado a po­lí­tica de di­reita, a re­cons­trução do ca­pi­ta­lismo mo­no­po­lista e a sub­missão na­ci­onal ao pro­cesso de con­cen­tração e cen­tra­li­zação ca­pi­ta­lista con­du­zido pela UE.

A po­lí­tica de di­reita é por de­fi­nição cor­rupta: Ela trata da en­trega ao grande ca­pital, a um con­junto re­du­zido de fa­mí­lias e pes­soas, do es­sen­cial da pro­pri­e­dade na­ci­onal, dos nossos ser­viços pú­blicos e da ri­queza pro­du­zida pelo nosso povo. A po­lí­tica de di­reita é por de­fi­nição cor­rup­tível: ela ne­go­ceia o grau de fa­vo­re­ci­mento dos di­fe­rentes con­juntos de ca­pi­ta­listas, gere as op­ções entre in­te­resses egoístas e con­tra­di­tó­rios e po­la­riza a ri­queza. A po­lí­tica de di­reita é ne­ces­sa­ri­a­mente opaca: se fosse trans­pa­rente, os seus exe­cu­tantes se­riam cor­ridos à pe­drada dos seus postos no templo. A po­lí­tica de di­reita é im­pe­ri­o­sa­mente falsa: ela não pode as­sumir os seus ob­jec­tivos nem se­quer a sua na­tu­reza de classe.

É por isso que a po­lí­tica de di­reita (e os po­lí­ticos da po­lí­tica de di­reita) só so­bre­vive sur­fando as ondas cri­adas pelo con­junto dos ins­tru­mentos de do­mi­nação do grande ca­pital. E isso também tem um preço. Que uns pagam ale­gre­mente, ou­tros pagam con­tra­ri­ados e ou­tros se re­cusam a pagar. Ne­nhum destes úl­timos é Mi­nistro ou se­quer mi­nis­triável. E nunca terão di­reito (nem ne­ces­si­dade) a en­tre­vistas de 6 pá­ginas com os «jor­na­listas» a fingir ig­norar todos os ele­fantes que cir­culam pela sala.




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