PCP insiste que mais e melhor SNS e aposta na prevenção são a solução
Testar, rastrear, vacinar todos rapidamente e fortalecer o Serviço Nacional de Saúde (SNS) são medidas que se impõe tomar na resposta ao surto epidémico e que o PCP não desiste de ver implementadas cabalmente.
«O SNS mostrou ser a solução mais sólida», disse Jerónimo de Sousa
Foi justamente isto que se sublinhou no encontro com utentes e profissionais de saúde, ocorrido ao final da tarde de sexta-feira, 25, no CT Vitória, em Lisboa. A iniciativa culminou uma nova acção nacional do PCP sob o lema «Mais SNS, mais e melhor saúde», insistência que Jorge Pires, da Comissão Política, justificou com a ofensiva contra o SNS, promovida pelos grupos privados.
Jorge Pires deixou fortes críticas à actuação do Governo, designadamente em relação à promoção do medo e à difusão da responsabilização individual em detrimento de arrepiar caminho nas opções que tomou no processo de vacinação, o que implicaria romper com as opções da UE. A merecer reparo, igualmente, a não aposta na testagem, rastreio e reforço do SNS, servindo disso exemplos a manutenção das carências de meios materiais, humanos e infra-estruturas.
Acresce a não concretização pelo Governo de medidas inscritas no último Orçamento de Estado, caso do fortalecimento das equipas de saúde pública com cerca de 500 profissionais, uma de entre várias propostas do Partido que a deputada Paula Santos referiu que ou não foram implementadas ou foram-no de forma muito insuficiente.
Velha história
A abrir o encontro, Jerónimo de Sousa considerou que a campanha em curso, não sendo «uma novidade nestes mais de 40 anos de existência do SNS, assume «uma dimensão e intensidade nunca vistas».
«Tirando partido de algumas dificuldades iniciais do SNS na resposta a uma epidemia inesperada, aqueles que durante dezenas de anos foram responsáveis pelo desinvestimento, desvalorização e desarticulação dos serviços, com o forte apoio mediático, desenvolveram a tese de que o SNS não estava em condições, por si só, de tratar milhares de doentes com a COVID».
Sucede que «a vida confirmou, mais uma vez, que estavam enganados e que, apesar de todas as dificuldades e insuficiências, o SNS mostrou ser a solução mais sólida», salientou ainda o Secretário-geral do PCP, para quem «o objectivo é muito claro: limitar ao SNS as tarefas da promoção e prevenção da saúde das populações e dar combate à epidemia, o que só dá despesa, e reservar para os grupos económicos as cirurgias, as consultas e os exames de diagnóstico, o que dá lucro».
Avançar
Ora, neste contexto, «a solução no combate à COVID-19 não pode ser insistir no fecho de actividades e no condicionamento da vida social», não pode ser uma «estratégia de comunicação que visa alarmar e espalhar o medo» visando a «aceitação de medidas restritivas», prosseguiu Jerónimo de Sousa, que em seguida chamou a atenção para a necessidade de «tomar medidas alternativas».
Entre estas, destacou «a «testagem, definindo critérios e prioridades rigorososs», o «rastreio de todos os novos casos e contactos por estes realizados», e a «vacinação rápida de todos». Não é por isso aceitável que o Governo ainda não tenha assegurado «a aquisição de outras vacinas já referenciadas pela OMS e, simultaneamente, contratado mais profissionais para garantir o avanço do processo».
O dirigente comunista realçou, por outro lado, que a melhoraria do acesso e prestação de cuidados de saúde solicita «investimento na modernização e inovação tecnológica, na capacidade de resposta dos centros de saúde e hospitais e no número de profissionais», assim como a valorização destes, empurrados para o estrangeiro ou para o sector privado.
À luta!
Acerca da desvalorização dos profissionais de saúde falaram a administrativa Isabel Dias e a enfermeira Célia Matos, ambas relatando a perpetuação, pelo Governo do PS, das baixas remunerações, do atropelo de direitos e da precariedade dos vínculos. Alguns enfermeiros foram mesmo confrontados com o despedimento depois da última vaga de contágios e outros estão a ser contratados só até ao final de Agosto, testemunhou Célia Matos.
Tânia Mateus, por seu lado, abordou a degradação da assistência médica às mulheres no contexto pandémico, manifestando preocupação pelo agravamento de muitos dos aspectos que já vinham de trás, enquanto que Luísa Fernandes denunciou a situação do Centro de Saúde de Algueirão Mem-Martins, paradigmática de que este Governo até pode inaugurar edifícios, mas mantém lá dentro velhos problemas como a falta de médicos e outros profissionais, justificando-se a revolta dos utentes e a palavra de ordem «a luta continua».
De resto, o engenheiro e ex-gestor hospitalar Durão de Carvalho acusou o PS de «prosseguir a política de desinvestimento do SNS do tempo da troika», e lembrando que o Ministério da Saúde foi desprovido de competências para planear e gerir o sector, o também ex-gestor hospitalar lembrou que «estão aprovados cerca de mil milhões de euros para SNS, fruto das propostas do PCP», mas que «nada está a ser feito e executado».