Resistência das mulheres antifascistas é tema de novo livro da URAP

Depois de uma sessão de apresentação no dia 16 de Junho, na Cooperativa Árvore, no Porto, o livro Elas estiveram nas prisões do fascismo foi apresentado na Casa do Alentejo, em Lisboa, no dia 26. A URAP realizará ainda, pelo País, outras tantas sessões.

«Um livro dedicado a todas as mulheres resistentes antifascistas»

Em Lisboa, a sessão que foi dirigida por Nuno Figueira, do Conselho Nacional da URAP, iniciou-se com um concerto executado pelo Quarteto Zlatna. A actriz Regina Correia leu também três poemas de Ilsa Losa, Sophia de Mello Bryner e Eugénia Cunhal.

Coube a Marília Villaverde Cabral, dirigente da URAP, saudar os presentes, dirigindo-se, logo de início, a ex-presas que ali estavam, lembrando «o seu extraordinário exemplo». A propósito do livro referiu ainda que aquele é mais «um contributo para que não se esqueça o papel das mulheres na luta contra o fascismo», luta na qual «elas estiveram sempre presentes», exigindo melhores salários, menos horas de trabalho e lutando contra a humilhação e pela igualdade nos campos, nas fábricas, nos escritórios, nas escolas.

«Mas mesmo presas, com saúde muito debilitada, lemos neste livro palavras que nos ajudam a prosseguir a sua luta: “no meu coração não morre a esperança”; “a noite tem estrelas e a alvorada é inevitável; “o povo português conquistará a sua libertação”; “a mulher portuguesa cantará a alegria, a paz e o amor, juntará a sua voz à de milhões de outras mulheres livres e felizes”», citou a dirigente.

Exemplos de coragem e de resistência

Manuela Bernardino, do Conselho Nacional da URAP, fez uma apresentação mais detalhada do conteúdo do livro. Ao longo das suas 323 páginas, para além de uma lista com os nomes referentes às 1755 mulheres que passaram pelas diversas cadeias políticas da ditadura, aborda ainda outros aspectos como a situação jurídica das mulheres entre 1933 e 1974, as condições prisionais que enfrentaram, as lutas sociais e movimentações democráticas em que participaram, bem como um breve historial das organizações femininas de orientação democrática.

Elas estiveram nas prisões do fascismo é «um livro que expressa e trata não só do enquadramento político, social, ideológico e cultural da ditadura fascista mas igualmente da resistência das mulheres que, superando o medo, os constrangimentos e preconceitos de uma sociedade dominada por valores conservadorese patriarcais, participaram em numerosas lutas no plano social e travaram combates no plano político abertamente, de forma semi-legal ou na clandestinidade», disse ainda.

A dirigente afirmou também que «este é um livro dedicado a todas as mulheres resistentes antifascistas. Aquelas que no seu percurso de resistência foram presas – enfrentaram a PIDE – os seus agentes e inspectores que as insultaram e humilharam em interrogatórios prolongados e as sujeitaram a violentas torturas, ao isolamento e, se julgadas no Tribunal Militar ou no Plenário, sofreram condenações que conduziram a que vivessem anos na Cadeia do Forte de Caxias».

Não esquecer as vítimas do fascismo

Também José Eduardo Brissos, do Conselho Nacional da URAP, que integrou o grupo de trabalho de investigação, prestou uma detalhada informação sobre a listagem das 1755 ex-presas políticas que o livro divulga, informação recolhida na quase totalidade no Registo Geral de Presos da PIDE, à guarda da Torre do Tombo, e também em outras fontes.





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