Desenvolver Montemor-o-Novo é a chave para a confiança do povo

Em Montemor-o-Novo, a CDU tem encontrado, ao longo de décadas, uma força inesgotável para continuar a melhorar o concelho. Ao Avante!, Hortênsia Menino, actual presidente da Câmara Municipal (CM) e candidata à Assembleia Municipal (AM), contou os desafios e adversidades enfrentados pela CDU durante os últimos oito anos de mandato.

Em Montemor sente-se o impacto positivo do Poder Local democrático

Há 40 anos que a CDU está à frente dos destinos do município de Montemor-o-Novo. Qual é o segredo para manter a confiança da população?

Por um lado, é um projecto político que está estruturado no trabalho para responder às necessidades das pessoas. A isso junta-se uma política de proximidade com a população, os trabalhadores, as entidades do concelho, suportada por uma estratégia de desenvolvimento do próprio município. Esta tem sido a base do nosso trabalho.

Na prática, o facto de nos termos mantido a gerir a CM ao longo destes anos todos é, também, a confiança que a população nos tem transmitido e o reconhecimento da nossa intervenção, capacidade de trabalho e de responder aos problemas.

Qual é o balanço que fazes dos últimos oito anos de mandato da CDU aqui no município?

Este período tem sido marcado por algumas questões que dificultaram o trabalho autárquico. Em primeiro lugar, a intervenção da troika e a crise financeira que daí decorreu, em que, claramente, houve um aproveitamento político por parte dos governos para restringir, limitar e, no fundo, tutelar a intervenção das autarquias locais. Resultaram disso alguma consequências complicadas, como a proibição da contratação de trabalhadores, a extinção de freguesias e várias limitações financeiras e orçamentais.

Apesar de tudo isto, temos mantido sempre uma linha de investimento público, de captação de investimento e de financiamento comunitário para o concelho. Isso permitiu-nos alavancar dois grandes planos de investimento público que mudaram e estão a mudar a imagem da cidade. Havia, efectivamente, a necessidade de fazer um trabalho de renovação de infra-estruturas, de qualificação do espaço público e de dar melhores condições a quem cá vive, trabalha e visita.

Para além disso, temos ainda um conjunto de investimentos importantes nos arruamentos e na rede viária, porque temos um concelho muito grande, com 1232 quilómetros quadrados e 600 quilómetros de rede viária municipal. Iniciámos este mandato com uma intervenção de qualificação da rede viária de cerca de um milhão de euros e estamos a terminá-lo com outra no valor de mais de dois milhões de euros.

Em Montemor, questões ligadas ao património também têm uma dimensão importante. Neste mandato, fizemos uma primeira intervenção de contenção estrutural no Convento da Saudação, que se pretende, no futuro, que seja um centro de artes trans-disciplinares. Destacava também a uma parceria que estabelecemos com a Direcção Regional de Cultura, a Junta de Freguesia de Santiago do Escoural e a Associação de Amigos Unidos do Escoural para manter aberta a Gruta do Escoural que é um monumento natural bastante relevante no concelho.

Temos tido a capacidade de criar e inovar algum trabalho novo em torno desta dimensão da cultura e do património, como a Morbase, que, no fundo, é uma plataforma online que se configura como um arquivo do património do concelho. Criámos o centro de etnologia, o roteiro literário «Levantado do Chão», em torno da obra de José Saramago e da história do século XX de Montemor, e ainda o centro interpretativo do Castelo.

Neste mandato foi possível recuperar das consequências provocadas pela austeridade?

Fizemos um grande esforço para recuperar a capacidade de resposta perdida pelo serviço público, aproveitando todas as oportunidades e disponibilidades para a contratação de pessoal, sobretudo nas áreas operacionais. Aproveitámos, também, o programa de regularização do PREVPAP para integrar algumas pessoas.

A outra, que infelizmente ainda não se conseguiu reverter, tem a ver com a extinção de freguesias. Sentimos que esse processo foi completamente feito à margem daquilo que eram as perspectivas e preocupações das pessoas. Ainda hoje, nas freguesias onde isso aconteceu, para além de serem conhecidas as consequências desse processo, as pessoas continuam a sentir uma necessidade de retomar a discussão desta questão.

seria justa a proposta do PCP de recuperação das freguesias extintas.

Perfeitamente justa. Foi agora aprovada alguma coisa nesta área, que não sei se servirá os interesses das pessoas. No fundo, há aqui um grande sentimento de que existe uma manifesta falta de vontade política do PS para resolver esta questão.

Nas nossas localidades, se hoje temos o que temos, deve-se muito ao trabalho do Poder Local democrático.

Da responsabilidade do Poder Central, o que falta fazer no concelho?

Há uma questão que é fundamental e tem a ver com a retirada do trânsito rodoviário pesado do centro da cidade. É, claramente, uma responsabilidade da administração central, porque é uma estrada nacional.

Também seria importante dotar o serviço de urgência básico dos recursos necessários, porque, na prática, o serviço existe, mas não tem os recursos humanos que estão descritos na lei afectos a um serviço de saúde com estas características.

Depois existem todas as questões de recuperação do património. O Convento da Saudação, por exemplo, foi cedido à Câmara porque nunca houve, por parte do Estado, vontade de o recuperar.

As últimas intervenções, dignas de registo, no Castelo, foram todas realizadas pela Câmara com o orçamento municipal ou com o apoio de fundos comunitários.

A epidemia atrasou a realização de algum projecto?

Decidimos que não pararíamos nenhuma obra, nem nenhuma intervenção. Mesmo durante os períodos de Estado de Emergência, houve sempre obras, mas com limitações. As obras de qualificação do centro histórico e dos arruamentos do espaço público, por exemplo, sofreram alguns atrasos.

Estão previstas novas intervenções já para breve?

Uma delas é a recuperação do Cine-Teatro Curvo Semedo, que já tem projecto concluído.

O pavilhão gimnodesportivo, que é um espaço partilhado entre a CM e a Escola EB 2 e 3 também necessita de uma rápida recuperação.

Três escolas de 1.º ciclo têm projectos que ficarão concluídos até ao final deste mandato e ficarão em condições de serem executadas nos próximos quatro anos.

Que experiência retiras da tua intervenção autárquica?

Eu comecei o meu trabalho no Poder Local democrático há quase 20 anos na Junta de Freguesia do local onde sempre vivi. Depois comecei a integrar as listas para a CM. Estive na vereação e depois, mais tarde, na presidência.

É uma experiência muito interessante e um processo de aprendizagem contínuo, do primeiro ao último dia. O facto de podermos, com o nosso trabalho, que não é só meu, mas sim deste colectivo, contribuir para resolver problemas do nosso concelho foi extremamente importante, o que vou sempre guardar nas memórias positivas da minha vida.


Dinamização cultural é essencial

Em Montemor-o-Novo, a CDU não deixou «cair a vida no concelho», como disse Hortênsia Menino. Apesar de não desvalorizar o impacto e as preocupações legítimas sobre a gestão da epidemia e sobre as medidas a tomar para a sua contenção, o executivo da CDU esforçou-se, desde logo, para manter a actividade social, desportiva e cultural.

«Logo que foi possível, preparámos os nossos equipamentos e serviços e reagendámos e reconfigurámos algumas actividades», afirmou a presidente.

Este esforço acrescentou-se ao já importante trabalho realizado pela autarquia na dimensão sócio-cultural, de que são exemplos a Oficina da Criança, a Galeria Municipal ou a Biblioteca Municipal. Projectos que em Montemor-o-Novo surgiram no início dos anos 80 e estão já consolidados, mas que continuam a ser renovados e melhorados.

«No mandato anterior, mudámos as instalações da Oficina da Criança, um marco importante, tendo em conta que este ano comemorámos o seu 40.º aniversário», frisou.

 

Risco para os munícipes

«Aquilo que os autarcas sentem neste momento é que o Governo está a tentar livrar-se de um conjunto de problemas e de responsabilidades e a empurrá-las, literalmente, para as autarquias», afirmou Hortênsia Menino quando questionada sobre a descentralização de competências do Estado para as autarquias.

Para a presidente da CM de Montemor, este processo, para além de pôr em causa direitos universais, pretende regionalizar estratégias e áreas de intervenção estratégica que devem ter uma política única e central.

«Podemos correr o risco de ter munícipes que têm uma resposta na saúde e na educação, porque a sua CM tem dinheiro e vontade política, e outros que não», afirmou ainda.

 

«Continuar a fazer mais e melhor»

Ao Avante!, António Romeiras, 44 anos, economista, salientou que «é uma honra e um orgulho» ser o candidato a presidente da CM pela CDU, «um projecto comprometido com o lema de trabalho, honestidade e competência, ao serviço das populações e dos seus interesses, que se procura distinguir pela sua criatividade, capacidade de trabalho e na defesa dos legítimos direitos dos trabalhadores, micro e pequenos empresários e agricultores, estudantes e reformados».

Esta candidatura, «engloba um colectivo de homens e mulheres que vão abraçar um grande desafio e responsabilidade, de poder servir a causa pública e de “escrever” mais um capítulo da história de sucesso do Poder Local d emocrático de Abril em Montemor-o-Novo», prosseguiu, acrescentando: «Estamos determinados com este projecto autárquico que conta com todos, a população, o movimento associativo, instituições e outras forças vivas do concelho, para continuar a fazer mais e melhor».

 



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