Cuba Vencerá!

Ângelo Alves

Na próxima quarta-feira, Cuba apresentará pela 29.ª vez na Assembleia Geral das Nações Unidas uma Proposta de Resolução sobre a «Necessidade de acabar com o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba». Se o bloqueio é já por si um crime - e que já provocou em perdas directas quase 150 mil milhões de Dólares -, adquiriu no quadro da pandemia da COVID19 um conteúdo quase inqualificável. Segundo dados do Governo cubano os prejuízos económicos e financeiros do Bloqueio entre Abril de 2019 e Março de 2020, ou seja, no período de um ano, ultrapassaram pela primeira vez na História o valor de 5 mil milhões de Dólares. Os valores deste ano poderão ser ainda maiores.

Desde 1992 que sessão após sessão a esmagadora maioria dos Estados-membro da ONU tem votado pelo levantamento do Bloqueio. Na última votação, em 2019 (em 2020 Cuba teve de adiar a apresentação da proposta de Resolução), 187 dos 192 países representados na AG da ONU votaram pelo fim do Bloqueio. Aos EUA e Israel juntaram-se nesse ano, num gesto elucidativo da natureza do Bloqueio, o Governo de Bolsonaro e de Ivan Duque (Colômbia). A Administração norte-americana de Trump não só ignorou pela 28.ª vez o pronunciamento da AG da ONU, como intensificou o bloqueio com 240 novas medidas, 55 das quais aplicadas já em plena pandemia da COVID-19, tendo ainda incluído Cuba na lista de países que não cooperam na luta contra o terrorismo com o único objectivo de tentar dinamitar o sistema financeiro e bancário cubano.

Entretanto, Trump perdeu as eleições e a «América está de volta» com Biden. Só que para o povo cubano a «volta» da «América» não significou nenhuma mudança na política norte-americana face a Cuba. Bem pelo contrário. Não só se mantêm intactas as 240 medidas de Trump como são desenvolvidas novas formas de desestabilização e ingerência, nomeadamente via redes sociais. Mais… no quadro do «regresso» às relações com a Europa os EUA estão a alimentar a política anti cubana na Europa. Tal ficou bem patente numa recente resolução do Parlamento Europeu com um conteúdo profundamente reaccionário, de ingerência, desrespeito e ameaças a Cuba, impulsionada por partidos de extrema-direita alguns dos quais com relações muito próximas com os EUA e a máfia anticubana de Miami. Tentam sobretudo evitar aquilo que é quase certo: Na Assembleia Geral da ONU, dia 23, Cuba Vencerá!




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