Os media a saque
Em Portugal, o sistema económico-mediático continua a concentração monopolista a um ritmo brutal e num climax de conflito, conspirações e «guerra civil», de testas de ferro e interesses obscuros. Após um tempo em que a «normal» concentração monopolista dos media foi travada por Abril e pela Constituição - que a proíbe -, em que a luta dos jornalistas e dos trabalhadores frustrou os intentos do capital e dos governos da política de direita, a correlação de forças mudou e o saque decorre agora com violência. Noutro contexto, Marx escreveu n'O Capital sobre a «acumulação original» - «na história real … conquista, subjugação, assassínio para roubar, ... violência, desempenham o grande papel».
A «crise da comunicação social» é na verdade um processo de transformação tecnológica, mas é usada como ferramenta de concentração de capitais e poder, de regressão da liberdade de informação, de ataque ao sector público, de controlo político e ideológico dos media pelos interesses reaccionários, de exploração e cassação de direitos dos trabalhadores.
Hoje, na Media Capital, cujo CEO Mário Ferreira não conseguiu legitimar a compra do grupo face à oposição da Cofina, e que por isso adiou a «reestruturação» - os despedimentos e cortes de salários -, a aposta é na mutação da TVI24 em «CNN Portugal», como se a sigla do canal próximo de Biden fosse uma bula para negócios obscuros. No Global Media Group (GMG), o CEO Marco Galinha, em quinze dias, sem razão efectiva, passou do pedido de apoio à retoma com redução de trabalho de 30%, cortes de salários e desemprego (mais os 81 despedidos em Outubro), para um quadro em que nada acontece, mas no processo houve a aquisição de capitais da Lusa e da VASP e o aluguer do Tal&Qual, com os trabalhadores do gupo a serem carne para canhão das operações financeiras. E já se preparam mais saneamentos, diz-se no GMG e no Chega.
E é neste caldo de cultura e de saque dos media dominantes que o Governo PS prepara para a RTP um Contrato que, se avançar, resultará na insustentabilidade e num serviço público sem futuro, que uma CNN, ou um qualquer aventureiro, possam adquirir. Em defesa da democracia e da liberdade é necessário reverter o controlo monopolista nos media e defender o serviço público de comunicação social.