Convenção do MEL - a caminho da derrota
Tem lugar esta semana a III Convenção do MEL, Movimento Europa e Liberdade, um lobby criado em 2018, ao que consta a partir do «Observador», grupo económico-mediático e político-ideológico. O MEL junta dezenas de «boys» dos grandes interesses, em linha para a «porta giratória» da «classe política», e da nata neoliberal dos novos CEO. Os dirigentes do MEL, Carmona & Marrão, colunistas de negócios, articulam ligações à Deloitte, mega-multinacional financeira, ao Forum de Administradores e Gestores, aos economistas da «Ordem» vigente, ao Iniciativa Liberal e a links mais discretos.
Na Convenção (que decorre quando se escreve este Actual), constam 700 inscritos e, no desfile de currículo, sobressaem «famosos» da direita política e dos interesses, ideólogos e cortesãos: Júdice, N. Pinto, F. Bonifácio, J. M. Tavares, Portas, Maduro, Passos, os chefes Cotrim, Ventura, F. Rodrigues e Rio, quadros do PSD, CDS e sucedâneos, do PPM, da Aliança, do PR e do PS, bem à direita, L. Amado e S. Pinto, a que o capital e o PSD deram colo para álibis de Rio.
A Convenção do MEL, como o «Compromisso Portugal» do início do século, tem de substância os interesses da oligarquia mais conservadora. Não há no evento um único Painel sobre os problemas reais – salários, exploração, saúde, educação, direitos, apoio social – o que se discute é a «resignação», «estagnação» e «intolerância cultural» do regime democrático, a «transição para políticas públicas de liberdade do cidadão», a «liberdade económica», a «econfiguração» e «reconstrução» da direita e do País.
A III Convenção do MEL visa branquear a direita e a política de direita de atraso, injustiças e défices estruturais e promover o reforço ideológico, político e orgânico da direita tradicional e seus sucedâneos, mais ou menos federados, e cada vez mais reaccionários, para mais exploração e empobrecimento dos trabalhadores, do povo e da Pátria; e preconiza mais concentração e centralização de capitais e riqueza, romper com os valores e a Constituição de Abril, de facto no caminho para uma «quarta República».
Mas a verdade é que a Convenção do MEL não tem força bastante para reverter o tempo histórico. O seu projecto acabará derrotado pela luta dos trabalhadores e do povo.