A liberdade de imprensa contra as bombas

Carlos Gonçalves

Is­rael ar­rasou à bomba cen­tenas de edi­fí­cios de Gaza, entre os quais a torre Al-Jalaa, onde se si­tu­avam os ser­viços da te­le­visão Al­ja­zeera (do Catar) e da Ame­rican As­so­ci­ated Press (agência co­o­pe­ra­tiva in­de­pen­dente de no­tí­cias dos USA) e des­truiu ou­tros es­paços dos media in­ter­na­ci­o­nais. Tratou-se de si­len­ciar à bomba a co­ber­tura me­diá­tica não si­o­nista da cha­cina em Gaza. As ale­ga­ções de que o edi­fício era um «ob­jec­tivo mi­litar» são falsas e visam es­conder a vi­o­lação brutal por Is­rael das normas in­ter­na­ci­o­nais, um crime que se tornou sím­bolo das guerras de agressão dos USA e da NATO desde a des­truição da Radio Te­le­visão da Sérvia em 1999, também ela de­fi­nida como alvo pelo im­pe­ri­a­lismo.

Hoje, o ca­pital fi­nan­ceiro, as mul­ti­na­ci­o­nais da fi­leira me­diá­tica e as redes de in­for­mação di­gital detêm o con­trolo dos media do­mi­nantes. Este do­mínio tem o efeito de uma «bomba» que vai ani­qui­lando a li­ber­dade de im­prensa – ma­ni­pu­lação po­lí­tica e ide­o­ló­gica da in­for­mação e en­tre­te­ni­mento, an­ti­co­mu­nismo, uso re­cor­rente da nar­ra­tiva do crime, vi­o­lência, xe­no­fobia, medo e cor­rupção, ataque à de­mo­cracia, fake news, pro­pa­ganda pro­to­fas­cista, subs­ti­tuição da re­a­li­dade pelo sen­sa­ci­o­na­lismo, rup­tura com o jor­na­lismo, a no­tícia, o con­tra­di­tório e o plu­ra­lismo, im­po­sição do «pen­sa­mento único», li­mi­tação dos di­reitos co­lec­tivos, sobre-ex­plo­ração, pre­ca­ri­e­dade, de­sem­prego, re­pressão de jor­na­listas.

Em Por­tugal é à «bomba» da di­ta­dura do ca­pital fi­nan­ceiro e da cum­pli­ci­dade dos go­vernos PS, PSD, CDS, que pros­segue a con­cen­tração mo­no­po­lista (in­cons­ti­tu­ci­onal) e o seu pro­jecto de poder e li­qui­dação dos va­lores e da de­mo­cracia de Abril e da li­ber­dade de im­prensa, agora com uma «nova cen­sura» im­posta pelo grande ca­pital e não pela tu­tela. O que temos é a ocul­tação pela SIC do Con­gresso da JCP e a me­no­ri­zação do PCP; o ataque cego ao que resta de ser­viço pú­blico, RTP e LUSA; os des­pe­di­mentos e ne­go­ci­atas dos grupos eco­nó­mico-me­diá­ticos – Global Media, Media Ca­pital, Co­fina – quais «fundos abu­tres» contra os tra­ba­lha­dores e o País; o sa­ne­a­mento dos jor­na­listas ín­te­gros e do sin­di­ca­lismo.

A luta con­tinua pela li­ber­dade de im­prensa e in­for­mação - im­pe­ra­tivo de ci­vi­li­zação, de de­mo­cracia e pro­gresso so­cial.




Mais artigos de: Opinião

Tem méritos

Quando, há uns anos, o Governo aprovou os quadros de mérito nas escolas básicas e secundárias, alguns ter-se-ão espantado pela posição crítica face a esta medida. Tratava-se de, dizia-se, «reconhecer, valorizar e estimular ações meritórias e exemplares dos alunos ou grupos de alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino...

Likud, passado e presente

Em Dezembro de 1948, 28 intelectuais judeus publicam no New York Times uma carta-aberta que não poupa palavras. Eis alguns trechos: «Entre os mais perturbadores fenómenos do nosso tempo encontra-se a emergência no recém criado Estado de Israel do “Partido da Liberdade” (Thuat Haherut), um partido político cuja...

Vão ver

«Ditadura não, Liberdade sim» foi o lema da manifestação promovida este sábado pela World Wide Rally for Freedom and Democracy, estrutura em que participam as organizações não-governamentais Somos Humanidade, Defender Portugal e Habeas Corpus, contra as medidas restritivas devido à COVID-19 e o que dizem ser a «tirania»...

Declaração de guerra ao Serviço Nacional de Saúde

No pas­sado dia 3 de Maio, apro­vei­tando o facto da União Eu­ro­peia re­a­lizar a dita Ci­meira So­cial, em que par­ti­ci­param vá­rios chefes de Es­tado e de go­verno, mais de duas de­zenas de es­tru­turas que re­pre­sentam o sector pri­vado da saúde em Por­tugal, jun­taram-se no Porto para apro­varem uma de­cla­ração Sis­temas de Saúde Fo­cados nas Pes­soas e nos Re­sul­tados, cujo con­teúdo, por mais dis­si­mu­lado que es­teja, não con­segue es­conder os ver­da­deiros ob­jec­tivos: es­tamos pe­rante uma ver­da­deira de­cla­ração de guerra ao Ser­viço Na­ci­onal de Saúde.

Escombros

A barbárie de Israel reduz a escombros a Faixa de Gaza, essa enorme prisão a céu aberto onde vivem dois milhões de refugiados de 73 anos de guerras de Israel. Em poucos dias, contam-se mais de 200 mortos, incluindo 60 crianças. As bombas israelitas destroem torres de apartamentos, serviços médicos, escolas e empresas. E...