A liberdade de imprensa contra as bombas
Israel arrasou à bomba centenas de edifícios de Gaza, entre os quais a torre Al-Jalaa, onde se situavam os serviços da televisão Aljazeera (do Catar) e da American Associated Press (agência cooperativa independente de notícias dos USA) e destruiu outros espaços dos media internacionais. Tratou-se de silenciar à bomba a cobertura mediática não sionista da chacina em Gaza. As alegações de que o edifício era um «objectivo militar» são falsas e visam esconder a violação brutal por Israel das normas internacionais, um crime que se tornou símbolo das guerras de agressão dos USA e da NATO desde a destruição da Radio Televisão da Sérvia em 1999, também ela definida como alvo pelo imperialismo.
Hoje, o capital financeiro, as multinacionais da fileira mediática e as redes de informação digital detêm o controlo dos media dominantes. Este domínio tem o efeito de uma «bomba» que vai aniquilando a liberdade de imprensa – manipulação política e ideológica da informação e entretenimento, anticomunismo, uso recorrente da narrativa do crime, violência, xenofobia, medo e corrupção, ataque à democracia, fake news, propaganda protofascista, substituição da realidade pelo sensacionalismo, ruptura com o jornalismo, a notícia, o contraditório e o pluralismo, imposição do «pensamento único», limitação dos direitos colectivos, sobre-exploração, precariedade, desemprego, repressão de jornalistas.
Em Portugal é à «bomba» da ditadura do capital financeiro e da cumplicidade dos governos PS, PSD, CDS, que prossegue a concentração monopolista (inconstitucional) e o seu projecto de poder e liquidação dos valores e da democracia de Abril e da liberdade de imprensa, agora com uma «nova censura» imposta pelo grande capital e não pela tutela. O que temos é a ocultação pela SIC do Congresso da JCP e a menorização do PCP; o ataque cego ao que resta de serviço público, RTP e LUSA; os despedimentos e negociatas dos grupos económico-mediáticos – Global Media, Media Capital, Cofina – quais «fundos abutres» contra os trabalhadores e o País; o saneamento dos jornalistas íntegros e do sindicalismo.
A luta continua pela liberdade de imprensa e informação - imperativo de civilização, de democracia e progresso social.