Novo banco não pode continuar a ser um «buraco sem fundo»
O pedido de nova injecção de capital por parte da administração do Novo Banco (NB) reforça a razão do PCP, que desde 2014 considera que o Estado não pode cobrir prejuízos sem que a instituição seja nacionalizada.
Os portugueses já entregaram mais de 7 mil milhões de euros ao NB
A reivindicação do Partido foi reiterada em conferência de imprensa no sábado, 27, na qual o deputado Duarte Alves reagiu ao anúncio do NB de que pretende aceder a mais 598 milhões de euros com garantia pública. Para o PCP, tal pedido «deve ser liminarmente rejeitado pelo Governo» pois constitui «uma afronta aos milhares de portugueses que passam dificuldades».
«O NB não pode continuar a ser um “buraco sem fundo”», pelo que, reitera o PCP, «o banco deve ser colocado na esfera pública e não numa situação em que o Estado paga, mas não manda».
Duarte Alves recordou ainda que, aquando da «resolução do BES, decidida pelo Governo PSD/CDS», foi dito «aos portugueses que não haveria custos para o erário público». Todavia, o processo «resultou não apenas nos 4,9 mil milhões de euros [de prejuízo imediatamente apurado], mas também na inclusão de créditos degradados no suposto “banco bom”», os quais «geraram custos que ainda estamos a pagar».
O eleito comunista na Assembleia da República não deixou de criticar igualmente o Governo PS, sublinhando que este, «ao decidir a privatização do banco, ficando a Lone Star com “a faca e o queijo na mão”, permitiu que o fundo gerisse os activos de forma a utilizar toda a verba do acordo de capital contingente (3,9 mil milhões de euros), contrariando as [suas próprias] declarações» quando «afirmava ser uma solução sem custos para os contribuintes».
Contas feitas, «entre resolução fraudulenta, privatização ruinosa, gestão lesiva do interesse público e complacência do supervisor, com graves responsabilidades também da União Europeia e do BCE, os portugueses já entregaram mais de 7 mil milhões de euros ao NB», salientou Duarte Alves, que insistiu que o PCP não só rejeita que prossiga «a sangria de recursos públicos a favor da Lone Star, que tem como único objectivo usar o máximo de recursos públicos possíveis, despedir trabalhadores e encerrar balcões para depois entregar o banco a um qualquer conglomerado bancário internacional», como defende que «o que se impõe é a nacionalização do NB, permitindo interromper os desmandos da actual Administração, recuperar o que já foi entregue e colocar o banco ao serviço da economia nacional e do País».