EUA juram fidelidade à NATO e ameaçam Rússia e China

IMPERIALISMO Com a chegada de Joe Biden à Casa Branca, os EUA reafirmam e ampliam as alianças belicistas, insistem em medidas políticas, económicas e militares contra a China e a Rússia e ameaçam a paz mundial.

Conceito estratégico da NATO será actualizado com o pretexto da China e Rússia

O presidente norte-americano, Joe Biden, disse que a aliança entre os EUA e seus parceiros na Europa «está de volta» e que o seu governo está totalmente comprometido com a NATO, como se alguma vez tal tivesse deixado de se verificar.

«Estou a enviar uma mensagem clara ao mundo: os EUA estão de volta, a aliança atlântica está de volta e não vamos olhar para trás. Vamos olhar para a frente, juntos», assegura no entanto Biden, na Conferência sobre segurança de Munique, realizada, de forma virtual, no dia 20, procurando dar de novo um ímpeto à política belicista deste bloco político-militar.

«Os EUA estão totalmente comprometidos com a NATO», insistiu Biden, reafirmando o compromisso do seu país com o artigo da NATO que estabelece uma resposta colectiva face a um ataque contra um dos seus membros. Esta aliança «deve permanecer como o pilar de tudo o que queremos conseguir no século XXI, tal como o fizemos no século XX», disse o presidente norte-americano no seu primeiro discurso dirigido a uma audiência internacional, do qual esteve ausente qualquer avaliação crítica das agressões militares da NATO contra Estados soberanos (como a Jugoslávia, o Afeganistão ou a Líbia), bem como das suas dramáticas consequências para os respectivos povos e para a paz e a segurança mundiais.

O novo presidente norte-americano subiu o tom contra a Rússia e a China, há muito apontados pelos EUA como seus adversários estratégicos, procurando que a NATO alinhe incondicionalmente com este novo tom, ou não fosse esta, desde a sua fundação, um instrumento ao serviço da política externa norte-americana. Para alcançar este objectivo, e no caso da Rússia, Biden recorreu a diversas alegações, incluindo a dita «pirataria russa nas redes informáticas nos EUA e em toda a Europa e no mundo», como pretexto para a escalada de confrontação contra este país.

O presidente norte-americano também instou os seus aliados a preparar-se para uma dura concorrência estratégica a longo prazo com a China, almejando concretizar uma ampla aliança com o que designa de «Europa» e de «Ásia» em torno da sua estratégia de contenção e confrontação com o país asiático. Se durante a Administração Trump (2017-2021), os EUA levaram a cabo uma política de crescente tensão, «guerra comercial» e confrontação com a China, Biden reafirmou, no essencial, essa linha política face a Pequim.

NATO pretende rever
conceito estratégico

O conceito estratégico da NATO, aprovado em 2010 na cimeira de Lisboa requer uma actualização, declarou o seu secretário-geral, Jens Stoltenberg. O secretário-geral da NATO falava na primeira jornada da reunião dos ministros da Defesa dos Estados-membros, no dia 17, realizada por vídeo-conferência e coordenada a partir da sede da organização, em Bruxelas.

A «actualização» do conceito estratégico deve-se, segundo Stoltenberg, ao fortalecimento da China e à deterioração das relações da NATO com a Rússia. «Proponho aos chefes de Estado e de governo que, quando aqui [em Bruxelas] se reunirem este ano, actualizem o conceito estratégico da NATO», disse.

Explicou que o conceito adoptado há uma década assegura as necessidades da NATO mas não tem em consideração as mudanças na situação mundial. «O conceito estratégico actual não cobre a mudança no equilíbrio de poder, não tem em conta a ascensão da China», justificou. Em 2010, acrescentou, a aliança apostou na cooperação estratégica com a Rússia, mas hoje Moscovo «está a cometer acções agressivas contra os seus vizinhos», diz cinicamente Jens Stoltenberg, virando o bico ao prego.

Para o secretário-geral da NATO, a a situação «mudou muito». Por isso, ressaltou, «necessitamos de actualizar o conceito estratégico para fortalecer ainda mais o vínculo entre a Europa e a América do Norte», apontando ao fortalecimento e intervencionismo deste agressivo bloco político-militar.

Recorde-se que a NATO tem hoje instaladas em vários países vizinhos da Rússia bases e instalações militares e diversas das suas «forças de intervenção rápida». As despesas militares combinadas dos seus membros representam, segundo o SIPRI, mais de metade do total dos gastos militares mundiais em 2019, cerca de 929 mil milhões de dólares, ultrapassando em muito as que são assumidas pelos seus apregoados adversários, a Federação da Rússia (cerca de 61 mil milhões de dólares) e a República Popular da China (cerca de 261 mil milhões de dólares).




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