Pandemia aprofunda precariedade na arquitectura
A caracterização do trabalhador e da sua situação laboral e a identificação das consequências provocadas pela crise epidemiológica da COVID-19 foram os objectivos centrais do inquérito lançado pelo Movimento dos Trabalhadores em Arquitectura (MTA), cujos resultados foram publicados no passado dia 9.
As mais de 500 respostas obtidas no inquérito, que se desenvolveu entre o dia 14 de Abril e 17 de Maio de 2020, reportam situações como despedimentos ilegais, corte indevido de subsídios, não cumprimento da obrigatoriedade de teletrabalho e manutenção do trabalho presencial, incumprimento de normas de higiene e saúde nos locais de trabalho, sugestão de burlas ao Estado (com a sobreposição de teletrabalho à assistência a dependentes) e situações de violência moral sobre mulheres gestantes.
Segundo o MTA, os dados recolhidos confirmam que no trabalho em arquitectura «imperam os vínculos precários». A média salarial apurada é de 870,75 euros, «cerca de 100 euros abaixo do salário médio bruto mensal nacional». Uma percentagem significativa dos trabalhadores já viu o seu salário reduzido «em, pelo menos, um terço»; e 39 por cento dos inquiridos afirmou «não receber nenhum subsídio» de férias ou de Natal.
O MTA promete continuar a acompanhar a situação durante o período de crise epidemiológica, a desenvolver canais de denúncia e formas de aproximação e apoio que permitam aos trabalhadores em arquitectura lutarem pelos seus direitos.
O relatório deste inquérito está publicado no site do MTA (http://movimento-mta.pt).