Editorial

«pelos direitos e pela alternativa»

DESENVOLVER A LUTA E A INTERVENÇÃO

O País continua a viver uma situação marcada pelos efeitos da epidemia na saúde e pelos seus grandes impactos económicos e sociais. É uma situação que requer soluções urgentes aos seus volumosos problemas a que o Governo PS, pelas suas opções, não dá resposta e que o PSD, CDS e seus sucedâneos procuram instrumentalizar ao serviço dos seus projectos de retrocesso social.

A situação exige respostas de fundo que só uma política patriótica e de esquerda poderá concretizar.

Exige a valorização do trabalho e dos trabalhadores, nomeadamente, o aumento geral dos salários (incluindo o SMN), o combate à desregulação dos horários de trabalho e à precariedade e a valorização das reformas; exige igualmente a defesa dos serviços públicos e a valorização das funções sociais do Estado; a defesa e o apoio à produção nacional e ao aparelho produtivo; a afirmação da Constituição e o cumprimento dos direitos que consagra.

Exige também respostas urgentes aos problemas mais imediatos com que estamos confrontados.

Foi nesse âmbito que na visita que o PCP realizou a uma exploração leiteira na freguesia de Outeiro Maior, Vila do Conde, Jerónimo de Sousa alertou para a necessidade de defesa de activos produtivos do País, que hoje asseguram produções estratégicas – como é o caso do leite – crescentemente postos em causa pelas políticas da UE e pelas opções do Governo.

Esta semana foi decidido um novo Estado de Emergência. Mas, como o PCP tem afirmado, o Estado de Emergência e o confinamento são excepção, não são solução. Portugal precisa duma resposta eficaz que trave a epidemia no imediato e impeça o seu recrudescimento no futuro, adoptando medidas sanitariamente adequadas mas também equilibradas quanto aos seus impactos económicos e sociais.
As soluções que se impõem implicam que se avance com a vacinação, se aumente o rastreio e a testagem de contactos e reforcem os profissionais de saúde do SNS, protegendo os trabalhadores que continuam a trabalhar. Impõe que se avance com medidas que permitam abrir, o mais rapidamente possível e em condições de segurança sanitária, as actividades que foram encerradas.

É pela necessidade de resposta ao direito à saúde de todos os portugueses que o PCP realiza hoje uma acção nacional pela defesa e reforço do SNS.

Outro problema tem a ver com a situação das famílias com crianças e jovens em casa e com ensino à distância, muitas em teletrabalho ou a ter de accionar o mecanismo de assistência à família.

Num momento em que está decretado o confinamento e imposto o teletrabalho em muitas empresas e sectores, em que as creches e escolas estão encerradas, é fundamental que não se repliquem medidas que se mostraram erradas no primeiro confinamento, nomeadamente o corte de um terço do salário.
Quem está em casa de assistência aos filhos tem de ter o salário pago a 100% e não os actuais 66%, que empurram estas famílias para níveis ainda maiores de dificuldades económicas e de pobreza, e os seus filhos têm o direito a serem acompanhados pelos pais.

Ontem mesmo foi tornado público que o Governo se prepara para alargar o apoio dado aos pais em teletrabalho determinando que os que alternem no apoio dado aos filhos em casa devido ao encerramento das escolas vão poder receber os salários a 100%. É um avanço que resulta da luta e da combativa intervenção do PCP, mas são necessárias respostas mais abrangentes, como aquelas que o PCP preconiza nas propostas que hoje leva a debate na AR.

Mas, são também precisas com urgência soluções articuladas, nomeadamente o reforço de trabalhadores para a Rede de Lares de idosos com contratação através da Segurança Social.

Tal como são necessárias respostas urgentes aos problemas que enfrentam as milhares de micro e pequenas empresas, bem como às dificuldades dos profissionais da cultura e dos espectáculos.

Vivemos uma realidade com uma dimensão inquietante que apela ao reforço da intervenção do PCP e à sua iniciativa nas empresas e locais de trabalho, nas instituições e aos mais diversos níveis. Uma realidade que apela ao desenvolvimento da luta. Luta que tem no imediato uma jornada nacional, marcada pela CGTP-IN para o próximo dia 25 deste mês, que exige um empenhado esforço na participação e mobilização.

Aproxima-se o Dia do Centenário do PCP, o dia que vamos comemorar por

todo o País com um vasto conjunto de iniciativas, centrado nos problemas dos trabalhadores, do povo e do País sob o lema: «100 anos 100 acções – Liberdade Democracia Socialismo - Pelos direitos, a melhoria das condições de vida e o progresso social. Contra a exploração e o empobrecimento».

O PCP traz para a rua nesse dia a exigência de uma política que responda aos problemas, aos anseios e reivindicações que se colocam aos trabalhadores e ao Povo português, a política alternativa patriótica e de esquerda.

Será um dia para afirmar os valores de Abril e apelar à sua concretização em todos os domínios da nossa vida colectiva e reafirmar a validade do projecto por que luta o PCP, Partido que é necessário reforçar. Partido necessário, indispensável e insubstituível na actualidade e no futuro.



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