São precisas respostas abrangentes

Manuel Rodrigues

São múltiplos os efeitos da epidemia COVID-19 na saúde (física e mental), mas muito grande é também o seu impacto na situação económica, social e cultural do País: desde os despedimentos, aos cortes nos salários, à desregulação dos horários de trabalho, ao teletrabalho, ao ensino à distância, à grave situação que enfrentam muitas empresas, particularmente micro e pequenas, e os profissionais da cultura e dos espectáculos. E, como corolário deste vasto rol, aí está a fome a alastrar atingindo milhares de famílias portuguesas.

De facto, todos os dias aumenta o número de famílias em lista de espera para entrar no Programa Operacional de Apoio às pessoas mais Carenciadas (POAPMC). Terá mesmo passado de 60 mil para 120 mil o seu número.

Trata-se de uma situação social particularmente agravada, desde há uma semana, com o encerramento das creches e escolas e o retorno do ensino à distância, com a quebra de um terço do salário de seus pais, deixando as famílias com crianças mais expostas à pobreza,

Graças à luta e à intervenção do PCP, o Governo anuncia agora medidas que vêm atenuar a dimensão do problema, mas muito aquém das respostas abrangentes que o PCP propõe e a situação requer.

O PCP apresentou na Assembleia da República, e vão hoje ser votadas, diversas iniciativas legislativas que, entre outros aspectos, preconizam o pagamento do salário a 100% a todos aqueles que têm que ficar com os seus filhos em casa.

«É imperioso – como referiu Jerónimo de Sousa na sessão comemorativa dos 90 anos do Avante!, no passado dia 15 – que o PS não fuja a dar resposta positiva a este problema e o Governo corrija imediatamente o erro que está a cometer».

De resto, como esta situação mais uma vez o deixa demonstrado, é pelo caminho da luta que se chega às soluções.




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