O Império e a Independência Nacional
Foram recentemente destacadas publicamente umas declarações onde Ramalho Eanes afirmava «Sem Império dificilmente teríamos mantido a independência em certas épocas. Seríamos uma Catalunha “menos”». Estas declarações foram enquadradas na campanha reaccionária em curso, provavelmente mais do que o próprio autor o desejaria.
Aqui, Eanes está errado. Desde logo, naquele desastroso seríamos uma Catalunha menos. Porquê menos? Porquê este sentimento permanente de menoridade, de inferioridade face ao estrangeiro, tantas vezes mal disfarçada depois por patrioteiras palmadas no peito e estridentes e descrentes «somos os maiores»?
Depois, na ideia de ter sido o Império o garante da nossa Independência. Que Império tínhamos em 1128, 1139, 1140, 1143? E em 1383/85? Mas já havia Império em 1580, e quando do Ultimato. De cada vez que as classes dominantes traíram e trocaram a Independência nacional pela salvaguarda dos seus privilégios, quem garantiu a Independência Nacional? O povo português.
Recentemente, quando banqueiros e fascistas se revezavam nas Embaixadas dos EUA e de Espanha a pedir a invasão militar do nosso País, quem defendeu a independência nacional? Ou ainda mais recentemente, quando a grande burguesia nacional entregou partes crescentes da nossa soberania nacional à grande burguesia europeia, sentindo-se com essa traição mais segura de consolidar a contra-revolucionária reconquista dos seus privilégios, quem defendeu a independência nacional?
No passado, no presente e no futuro, o povo português é o garante da Independência Nacional. Um povo que é o produto dessa história, da incorporação de gentes mais diversas, que aqui chegaram, voluntária ou involuntariamente, e aqui passaram a viver e pertencer. Um povo que aprendeu à sua própria custa que nunca é livre um povo que oprime outros povos. Um povo que soube libertar-se do Império, numa madrugada inesquecível e nas belas manhãs que se lhe seguiram.